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Artigos Terça-feira, 14 de Julho de 2026, 08:52 - A | A

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Terça-feira, 14 de Julho de 2026, 08h:52 - A | A

MARINA DUARTE

Quando o secretário ameaça infartar, talvez seja hora de voltar a fazer pães

MARINA DUARTE

Confesso que fiquei preocupada ao ouvir o secretário de Infraestrutura de Mato Grosso afirmar, durante CPI na ALMT, que poderia "infartar" diante de tantos problemas. Saúde é coisa séria, e ninguém deveria colocar a própria vida em risco por causa de um cargo público. Se a pressão da função chegou a esse ponto, talvez seja o momento de refletir se vale a pena continuar. Nenhum secretário é insubstituível. A saúde, essa sim, não tem substituto.

Talvez exista um caminho mais leve. Afinal, antes da vida pública, Marcelo de Oliveira ficou conhecido como padeiro. Quem sabe não seja a hora de voltar ao ofício que lhe rendeu o apelido? O povo certamente agradeceria um bom pão francês saindo do forno, um pão doce bem feito ou uma rosca fresquinha. É um trabalho digno, útil e, convenhamos, bem menos estressante do que tentar convencer a população de que as obras finalmente serão concluídas.

Enquanto isso, Cuiabá segue firme rumo ao seu bicampeonato da ilusão. Primeiro foi o VLT, um monumento ao desperdício, às promessas e ao abandono. Agora é o BRT, que já coleciona atrasos, mudanças de cronograma e transtornos gigantescos. Mudam os governos, mudam os discursos, mas o sofrimento de quem enfrenta o trânsito todos os dias continua exatamente o mesmo.

Quem paga essa conta é sempre o cidadão. Paga no bolso, com recursos públicos consumidos por uma obra interminável. Paga no volante, preso em congestionamentos que transformaram deslocamentos simples em verdadeiras provas de resistência. Paga também na confiança, porque a cada novo anúncio fica mais difícil acreditar que, desta vez, a promessa será cumprida.

Se o secretário realmente está à beira de um infarto, que desacelere. Procure um médico, cuide da saúde e preserve aquilo que é mais importante. Nenhum cargo público merece esse preço. Mato Grosso encontrará outro gestor para a pasta, como sempre encontrou. A vida de uma pessoa vale muito mais do que qualquer obra, por maior que ela seja.

E, se me permite um último conselho, secretário: volte a fazer pães e deixe de fazer sonhos. Porque pão alimenta as pessoas. Sonhos mal feitos, infelizmente, só alimentam a frustração de uma cidade inteira.

(*) MARINA DUARTE é Servidora Pública e Analista de Gestão Pública)

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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