O que esperar de uma pessoa, ou de um grupo, intolerante? Eles não têm lado. Até porque o extremismo da direita e da esquerda os colocam na mesma linha, apenas estão de costas um para o outro, mas no fundo pensam do mesmo jeito. Ambos querem exterminar todos os que deles divergem. Mal sabem estes extremados que “a lei de ouro do comportamento é a tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos” (Mahatma Gandhi).
O Brasil vive um momento crítico. A passagem de Lula e companhia, mais pela forma que saíram do poder, não assumindo seus próprios erros e ainda mentindo descaradamente, fez com que surgisse, principalmente com o mimimi do golpe, um sentimento de enfrentamento entre a cegueira imposta pelos adeptos versus a ignorância do “antipetismo” que preocupa o futuro da nação e compromete o aprendizado democrático. É muito ódio e mentira convivendo em um mesmo espaço.
Os casos dos invasores vestindo vermelho na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, ou os invasores da Câmara dos Deputados vestindo verde e amarelo. A agressão ao jornalista Caco Barcelos e de outros trabalhadores da comunicação da Rede Globo. O escárnio do ex-governador Garotinho, ou a insistência de esconder que quem elegeu Temer são os mesmos que elegeram Dilma somados as tantas agressões de todas as espécies que minuto a minuto vem ocorrendo nas redes sociais por racismo, machismo, sexismo, discordância política, religiosa, time de futebol e etc., são exemplos constantes de que o Brasil está comprometendo seu futuro. E se não sabemos viver em grupo, como poderemos conviver com a democracia?
Denomina-se intolerância ao ato de depreciar uma pessoa por causa de suas orientações políticas, religiosas, sexuais e etc. Esta ação não constitui necessariamente um crime em todos os casos, embora certamente se aproxime desta circunstância. Ao longo da história da humanidade foram inúmeros os casos em que uma atitude intolerante levou a verdadeiras tragédias. Prova disto que as grandes guerras ou grupos de extermínios e atentados nasceram assim, da soma de um intolerante com outro, são covardes por natureza e por isso agem sempre em bando, no anonimato, ou em emboscadas.
Como escreveu Leonardo Boff: “Para entender um pouco mais profundamente a intolerância importa ir um pouco mais a fundo na questão. A realidade assim como nos é dada é contraditória em sua raiz; complexa, pois é convergência dos mais variados fatores; nela há caos originário e cosmos (ordem), há luzes e sombras, há o simbólico e os diabólicos. Em si, não são defeitos de construção, mas a condição real de implenitude de tudo que existe no universo”.
Isso obriga todos a conviver com as imperfeições e as diferenças. E a sermos tolerantes com os que não pensam e agem como nós. Traduzindo numa linguagem mais direta: são polos opostos, mas de uma mesma e única realidade dinâmica. Estas polaridades não podem ser suprimidas. Todo esforço de supressão termina no terror dos que presumem ter a verdade e a impõem aos demais. O excesso de verdade acaba sendo pior que o erro.
O mundo cresce na tolerância dos divergentes e fica estagnado na concordância dos pensamentos iguais. Então matar o diferente é escolher a mesmice, o ostracismo e a depressão. Até quando suportaremos tanta ignorância e ódio só o tempo dirá, mas confesso que tenho medo desta resposta.
*JOÃO EDISOM é Analista Político, Professor Universitário em Mato Grosso e colaborador do HiperNotícias.
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