Artigos Sexta-feira, 08 de Abril de 2011, 11:22 - A | A

Sexta-feira, 08 de Abril de 2011, 11h:22 - A | A

Energia, desenvolvimento e geoestratégia

O consumo de energia tanto pode ser visto como um indicador de desenvolvimento dos países quanto condição imprescindível para que possa ocorrer o crescimento econômico e a melhoria da qualidade de vida da população.

O consumo de energia tanto pode ser visto como um indicador de desenvolvimento dos países quanto condição imprescindível para que possa ocorrer o crescimento econômico e a melhoria da qualidade de vida da população. O acesso as diferentes fontes de energia, principalmente a elétrica indica o nível de desenvolvimento. Quanto maior for o consumo per capita de energia tanto maior será o índice de desenvolvimento.

Com toda certeza o mundo enfrenta pelo menos cinco grandes desafios e dependendo de como cada país e região enfrentam tais desafios e a capacidade que os mesmos tenham de superá-los dão a medida exata tanto do desenvolvimento quanto da estabilidade política interna e internacional. Esses cinco desafios são: produção e consumo de energia; de alimentos, acesso e uso adequado da água, o enfrentamento dos desastres naturais e, finalmente, a redução dos conflitos tanto internos quanto internacionais (guerras civis ou entre países e coalizões de países).
Todos esses desafios têm um denominador comum que é o meio ambiente que deve estar na ordem do dia ou na agenda de todas as sociedades.

Diversas instituições tanto internacionais quanto nacionais de diferentes países há um bom tempo vêm realizando estudos e utilizando modelos matemáticos ou de outra natureza e constroem cenários para orientar as ações publicas e privadas tanto para prevenirem os resultados negativos relacionados com esses desafios quanto para balizarem tais ações de forma a maximizarem os resultados esperados.

Tanto em termos de produção de bens e serviços quanto da população o eixo do desenvolvimento mundial há algumas décadas e de forma mais efetiva nas próximas décadas deverá estar situado no continente asiático, tendo como principais atores a China, a Índia, o Japão e a Coréia do Sul, além de outros países da região. Aos poucos o peso econômico, demográfico, industrial, científico e tecnológico passa a ter uma feição oriental.

Conforme o cenário elaborado pela EIA - Agencia Internacional de Energia (sigla em inglês), cujo horizonte é o ano de 2035 e o ano de referência de elaboração o ano de 2007 constata-se perfeitamente essa mudança de eixo econômico mundial. Em 2007, o PIB dos países da OECD, que inclui o G7 e também os demais países europeus, era de 35,4 trilhões de dólares ou 57,7% do PIB mundial enquanto a Ásia, exceto o Japão, que integra o G7 e OECD, tinha um PIB de 14,3 trilhões de dólares ou 22,7% do PIB mundial e a América Latina e Caribe de 4,1 trilhões de dólares ou 6,5% do PIB mundial.

Em 2035 as projeções indicam, respectivamente, países da OECD, 63,5 trilhões ou 41,3%; Ásia, 59,0 trilhões ou 38,4% e América Latina e Caribe com 10.3 trilhões ou 6,7% do PIB mundial. Os índices de crescimento anual do PIB neste período serão de OECD, 2,0%; Ásia, 5,2%%, América Latina e Caribe, 3,4% e a economia mundial deverá crescer 3,2% ao ano.

Como o crescimento econômico está diretamente relacionado com o consumo de energia, ou seja, quanto maiores forem os índices de crescimento econômico maiores serão também os índices de consumo de energia. Neste aspecto reproduz-se a mesma tendência apontada anteriormente quanto ao deslocamento do eixo econômico. A série dos dados refere-se a um período mais longo, iniciando em 1971 até atingir 2035 e podem-se detalhar alguns países para efeito de análise.

Em 1971 a Europa e a América do Norte consumiram 62% de toda a energia comercializada no mundo, caindo para 39% em 2010 e deverá ser de apenas 29% em 2035. Enquanto isto, a China em 1971 consumiu apenas 5%, passou para 18% em 2010 e deverá ser de 21% em 2035. Em relação à Índia a participação foi de 1% em 1971; 4% em 2010 e 7% em 2035.

Aqui cabe uma observação que entre 2035 e 2050 a Índia deverá superar a China tanto em índices de crescimento econômico quanto em tamanho da população e possivelmente em tamanho da economia. O impacto do crescimento econômico da China e da Índia deverá ser significativo em termos de consumo de energia, principalmente pelo fato de que nesses dois países e na África subsaariana concentram 80% da população que não tem acesso sequer a energia elétrica e de uma elevada proporção de habitantes que também passam a fome. O total de pessoas que não tinham acesso a eletricidade no mundo em 2009 era de 1,4 bilhões e das pessoas que estavam acometidas pela fome em 2009, segundo a FAO, era de 1, 023 bilhões.

Esse imenso contingente de pessoas tem o direito à vida digna e, portanto, deverão ser atendidos por políticas públicas e referencia em termos de incorporação ao processo de desenvolvimento. Diante desses desafios cabe aos governos e respectivas sociedades refletirem de uma forma profunda quanto aos rumos que pretendemos dar ao futuro. Por mais que algumas pessoas ainda continuem pensando em seus países como um oásis o mundo atual e mais ainda no futuro deverá estar estreitamente interligado. Caminhamos para a verdadeira aldeia global em que o que acontece em um país ou região afeta tanto positiva quanto negativamente todos os demais países. Mais do que nunca precisamos de governantes capazes, com visão de futuro e postura de estadistas. O tempo da mediocridade política está passando rapidamente!

(*) JUACY DA SILVA é professor universitário titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, Ex-Ouvidor Geral de Cuiaba. E-mail: professor.juacy@yahoo.com.br

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