Artigos Sábado, 01 de Outubro de 2011, 16:00 - A | A

Sábado, 01 de Outubro de 2011, 16h:00 - A | A

Educação

Fernando Henrique cuidou de universalizar o ensino básico, através da ação competente do saudoso ministro Paulo Renato. 98% das crianças brasileiras, ao fim de oito anos, estavam em sala de aula e, para isso, foi extremamente importante o Bolsa Escola

ARTHUR VIRGÍLIO

Divulgação

 Lisboa – Os resultados do Enem foram desastrosos. De 33 mil escolas avaliadas, apenas cerca de 1.300 obtiveram resultados à altura da média dos países da OCDE.

O governo Fernando Henrique cuidou de universalizar o ensino básico, através da ação competente do saudoso ministro Paulo Renato. 98% das crianças brasileiras, ao fim de oito anos, estavam em sala de aula e, para isso, foi extremamente importante o programa Bolsa Escola, hoje dissolvido no Bolsa Família.

O processo, infelizmente, não teve continuidade sob Lula. Ciscou, driblou e nada fez de relevante por nenhum dos níveis de ensino.

Não melhorou a qualidade do ensino básico, que seria o passo natural e primeiro a encetar. Ignorou o nível médio e produziu muita espuma no terreno universitário.

Criou e espalhou universidades públicas pelo País, como se estivesse aí uma prova de seu compromisso com os menos afortunados. Desperdiçou fundos preciosos e não avançou um passo sequer na direção da qualidade.

Simples diplomas de bacharelado nada resolvem, se não estiverem acompanhados do verdadeiro conhecimento. Continuamos, aliás, um país de advogados, enquanto a China se transformou numa nação de engenheiros.

O ensino técnico é retrato da mesmice. Poucos saem preparados para os exigentes desafios do mercado de trabalho. Temos uma economia que se modernizou e contrasta, a um tempo, com uma forma pré-histórica de fazer política e com um sistema educacional frágil e arcaico.

Algumas verdades absolutas: nenhum país se desenvolve plenamente sem resolver a questão educacional de maneira ousada e definitiva. Nenhum país sustenta o crescimento econômico, no médio e longo termos, se nossas escolas continuarem ejetando, ano após ano, alunos que mal conseguem ler. Nenhum país garantirá o futuro das novas gerações se não apresentar um ensino médio de qualidade, como base e sustentáculo de uma economia pujante.

Uma coisa é eventual crise de emprego e, felizmente, estamos longe disso. Outra é a crise de empregabilidade, que se dá quando o emprego existe, porém falta mão de obra preparada para ocupá-lo.

Não pensem que acho alguma graça na publicação anual das chamadas “pérolas do Enem”. Bem ao contrário, isso me constrange e humilha, porque humilha a geração que brevemente será chamada a dirigir o Brasil.

Lendo as tais “pérolas”, deparo-me com uma mocidade inteligente, criativa e, infelizmente, despreparada. Imediatamente, pergunto a mim mesmo onde estão os cursos de instrução e reciclagem de professores. Indago pelo momento em que as escolas deixem de ser depósitos de alunos orientados por professores abnegados, mas que não estudaram suficientemente.

Rogo pelo instante em que escola deixe de ser símbolo de enriquecimento de administradores públicos e empreiteiros, para que se foque no que interessa de verdade: o aluno, o professor, o ensino.

(*) ARTHUR VIRGÍLIO  é diplomata, ex-senador líder do PSDB no Senado, e escreve para HiperNotícias.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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