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Artigos Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026, 08:47 - A | A

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Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026, 08h:47 - A | A

EDNA SAMPAIO

Caso Venezuela e o colapso da hegemonia estadunidense

EDNA SAMPAIO

O que vem acontecendo na Venezuela não é um episódio isolado nem um desvio conjuntural da história. Trata-se de um marco das transformações profundas na geografia do poder mundial. Estamos diante do esgotamento de uma ordem internacional forjada no pós-Segunda Guerra e da emergência de outros mundos possíveis. Isso, contudo, não significa avanço civilizatório. Os sinais indicam o oposto: um percurso instável, tortuoso e perigoso.

O que se observa é um império em declínio. E a história ensina que a queda de algo grande demais nunca é silenciosa. Ela produz estrondos, estilhaços e destruições em cadeia. Os Estados Unidos lutam para preservar uma hegemonia que já não corresponde ao mundo que os elevou à condição de potência central no século XX. O mundo mudou, e o poder, ainda que relutante, desloca-se.

No início do século XX, a descoberta de vastas reservas de petróleo em território venezuelano atraiu decisivamente os interesses norte-americanos. Empresas dos EUA passaram a explorar o petróleo local, estabelecendo uma relação profundamente assimétrica. Enquanto a Venezuela se manteve alinhada aos interesses estratégicos de Washington, a relação foi descrita como estável e cooperativa. Não por acaso, o país chegou a ser apresentado como um “exemplo democrático” na América Latina. Servindo ao capital estrangeiro, a Venezuela não sofreu golpes militares patrocinados pelos EUA, como ocorreu em quase toda a região nas décadas de 1960 e 1970.

Esse modelo produziu concentração extrema da riqueza nacional nas mãos de empresas estrangeiras e elites associadas, gerando uma crise social profunda. É nesse contexto que o povo venezuelano elege Hugo Chávez, inaugurando um projeto político centrado na soberania econômica e na redistribuição da renda.

A partir de 1999, com a reestatização do petróleo e a redefinição das regras de exploração, a Venezuela passou a exigir que parte substantiva da riqueza petrolífera permanecesse no país. Foi exatamente nesse momento que se precipitou a ruptura com os Estados Unidos. Vieram as sanções econômicas, as restrições comerciais, o bloqueio financeiro e o isolamento diplomático.

Essas sanções não são instrumentos neutros de política externa. Constituem um embargo econômico punitivo, que sufoca a economia, impede o comércio internacional e agrava dramaticamente as condições de vida da população. A pobreza na Venezuela — assim como em Cuba — não pode ser explicada apenas por erros internos de governo. Ela é, em larga medida, produzida pela ação deliberada de uma grande potência contra países que ousaram afirmar sua soberania.

No cenário atual, a hegemonia norte-americana já não se sustenta pela difusão cultural ou pelo fascínio do consumo. Diante do avanço da China e de articulações como o BRICS, os Estados Unidos recorrem cada vez mais à coerção: sanções, ameaças militares e intervenções indiretas. A América Latina reaparece como território estratégico a ser controlado. A retórica beligerante em relação à Venezuela funciona como recado geopolítico: “América para os americanos!”
Apenas os tolos veem motivo de celebração na invasão de um país e na prisão ilegal de um chefe de Estado latino-americano.

(*) EDNA SAMPAIO é Doutora em Ciências Sociais. Profª. da Unemat e Gestora Governamental 1ª. Suplente de Deputada Estadual/PT.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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