Os números da violência contra a mulher em Mato Grosso não permitem silêncio ou conformismo. Dados atualizados em 16 de agosto deste ano pelo Observatório Caliandra, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), mostram uma realidade que precisa ser enfrentada com firmeza.
Já são 31 feminicídios registrados no Estado em 2026, quatro somente em agosto. São vidas interrompidas e famílias destruídas. Em muitos casos, os sinais da violência já estavam presentes.
A dimensão do problema também aparece nos 33.449 registros de violência doméstica neste ano. São 11.394 ocorrências de ameaça, 5.882 de lesão corporal e 4.212 de injúria. Também foram concedidas 11.817 medidas protetivas.
Por trás de cada ocorrência existe uma mulher que sentiu medo, sofreu violência, pediu ajuda e precisou mudar a rotina para sobreviver.
É preciso fazer uma pergunta simples. Se uma mulher precisa de medida protetiva, botão do pânico ou auxílio para deixar o ambiente onde sofre violência, quem deveria ser afastado?
Não podemos continuar transferindo para a vítima o peso de se proteger de quem representa uma ameaça à sua vida. Se o agressor continua livre e próximo, a proteção pode não ser suficiente.
A violência doméstica raramente começa no feminicídio. Antes dele, muitas mulheres já foram ameaçadas, humilhadas e agredidas física e psicologicamente. A separação, quando a mulher decide romper o ciclo de violência, pode aumentar o risco.
Não podemos aceitar uma lógica em que a mulher precisa desaparecer para continuar viva. É ela quem muda de endereço, deixa o trabalho, evita lugares e vive com medo. Enquanto isso, o agressor continua circulando.
É preciso transformar essa indignação em medidas concretas. A legislação deve ser mais rigorosa com quem tira a vida de uma mulher e oferecer condições para que a vítima rompa o ciclo de violência.
Entre as propostas que defendo está o fim da progressão de regime para condenados por feminicídio consumado. Quem tira a vida de uma mulher precisa responder de forma proporcional à gravidade do crime.
Também defendo a criação do Auxílio-Proteção, por seis meses, para mulheres com medida protetiva. A iniciativa busca garantir condições financeiras para que elas deixem a casa do agressor e reconstruam a própria vida.
Depois da morte, nenhuma campanha devolve uma mãe aos filhos, uma filha à família ou uma mulher à própria história.
As 31 mulheres assassinadas neste ano não são números. E os 33.449 registros de violência doméstica mostram que milhares de mulheres pedem que o poder público faça sua parte.
A pergunta não pode mais ser o que a vítima precisa fazer para se proteger, mas o que o Estado fará para impedir que o agressor volte a ameaçá-la.
A mulher precisa de proteção para viver, liberdade para recomeçar e um Estado que não chegue tarde demais.
(*) KATIUSCIA MANTELI é jornalista, vereadora em Cuiabá e candidata a deputada federal por Mato Grosso pelo Podemos.
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