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Artigos Sábado, 06 de Junho de 2026, 07:49 - A | A

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Sábado, 06 de Junho de 2026, 07h:49 - A | A

EDUARDO DREYER

A Inteligência Artificial vai substituir o seu trabalho? Talvez essa não seja a pergunta certa

EDUARDO DREYER

Nos últimos meses, uma pergunta tem aparecido com frequência sempre que o assunto é Inteligência Artificial:
"Ela vai substituir o meu trabalho?"

A preocupação é compreensível. Afinal, diariamente vemos notícias sobre ferramentas capazes de escrever textos, criar imagens, analisar documentos, programar sistemas e executar tarefas (RPA) que antes dependiam exclusivamente da ação humana.

Mas, na minha opinião, talvez essa não seja a pergunta mais importante.Ao longo da história, toda grande transformação tecnológica trouxe incertezas. Foi assim durante a Revolução Industrial. Foi assim quando os computadores chegaram às empresas. Foi assim com a internet. E agora estamos vivendo algo semelhante com a Inteligência Artificial.

O curioso é que, olhando para trás, percebemos que nenhuma dessas tecnologias eliminou o trabalho humano. O que elas fizeram foi mudar a forma como trabalhamos.

Quem viveu a chegada da internet deve se lembrar de quantas profissões foram consideradas ameaçadas. No entanto, além de transformar carreiras já existentes, a internet criou inúmeras outras que sequer eram imaginadas há algumas décadas.
Com a Inteligência Artificial, acredito que veremos um movimento parecido.

Quando converso com outros profissionais, percebo que muitos imaginam um cenário em que uma máquina simplesmente assume o lugar de uma pessoa. Na prática, o que tenho observado é algo diferente. A tecnologia está assumindo tarefas repetitivas, operacionais e previsíveis, enquanto as pessoas continuam responsáveis por aquilo que exige análise, criatividade, relacionamento e tomada de decisão.

Pense em um contador que passa menos tempo organizando planilhas e mais tempo orientando seus clientes. Ou em um advogado que consegue analisar documentos com mais rapidez e dedicar mais atenção à estratégia de um caso. Ou ainda em um pequeno empresário que utiliza ferramentas de IA para produzir conteúdo e atender clientes com mais eficiência.

Nesses exemplos, a tecnologia não substitui o profissional. Ela amplia sua capacidade de atuação.
Isso não significa que não haverá impactos.
Haverá.

Algumas atividades serão automatizadas. Certas funções serão redefinidas. Novas competências serão exigidas. Profissionais que hoje ignoram essa transformação podem enfrentar dificuldades no futuro.

Mas talvez o maior risco não esteja na Inteligência Artificial.

Talvez esteja na resistência à mudança.

O mercado sempre valorizou profissionais capazes de aprender, se adaptar e evoluir. A velocidade dessa necessidade é que aumentou.
Recentemente, enquanto ministrava uma palestra sobre Inteligência Artificial aplicada ao setor automotivo, um dos participantes me fez uma pergunta que tenho ouvido com frequência: "A Inteligência Artificial vai substituir as pessoas?" Minha resposta foi simples: não é a Inteligência Artificial que vai substituir as pessoas. São as pessoas que aprendem a utilizar novas ferramentas e tecnologias que acabam se destacando e conquistando mais espaço no mercado.

A Inteligência Artificial é apenas mais uma dessas ferramentas. Uma ferramenta poderosa, sem dúvida, mas ainda assim uma ferramenta.

Por isso, acredito que a discussão não deveria ser apenas sobre empregos que podem desaparecer. Deveríamos falar também sobre as oportunidades que estão surgindo, sobre as novas habilidades que precisarão ser desenvolvidas e sobre como podemos utilizar a tecnologia para resolver problemas reais.

A verdade é que ninguém consegue prever exatamente como será o mercado de trabalho daqui a dez anos. Mas uma coisa parece cada vez mais evidente: compreender a Inteligência Artificial será tão importante quanto compreender a internet se tornou nos últimos vinte anos.

E talvez a pergunta mais relevante não seja se a Inteligência Artificial vai substituir o seu trabalho.

Talvez seja: você está se preparando para trabalhar ao lado dela?

(*) EDUARDO DREYER é graduado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, pós-graduado em Engenharia de Software e MBA em Inteligência Artificial e Automação de Negócios. Atua com tecnologia e transformação digital, além de ministrar palestras sobre Inteligência Artificial e suas aplicações no ambiente profissional e empresarial.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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