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Artigos Sexta-feira, 05 de Junho de 2026, 13:38 - A | A

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Sexta-feira, 05 de Junho de 2026, 13h:38 - A | A

EDILSON ALMEIDA

O meio ambiente deixou de ser festa

EDILSON ALMEIDA

Houve um tempo em que o Dia Mundial do Meio Ambiente mobilizava escolas, órgãos públicos, empresas e comunidades. Não era apenas uma data. Era uma semana de palestras, caminhadas, plantio de mudas e debates. Preservar parecia tarefa de todos.

Virou reminiscência.

A data passa quase em silêncio, reduzida a postagens institucionais e frases prontas. Por que se perdeu tanto entusiasmo?

Parte da resposta está no cansaço das campanhas sem consequência prática. Falou-se muito em preservar, mas avançou-se pouco em saneamento, fiscalização, recuperação de áreas degradadas e incentivo à produção sustentável. Quando a palavra não vira política pública, ela se desgasta. Vira ritual sem alma.

Há, porém, um fator mais grave: o meio ambiente foi transformado em vilão da produção. Como se floresta em pé, água limpa, solo protegido e leis ambientais fossem obstáculos ao desenvolvimento. Como se produzir exigisse desmatar, poluir, flexibilizar regras e ridicularizar órgãos de controle.

Essa falsa oposição contaminou o debate. Setores produtivos passaram a ver a legislação ambiental como inimiga. Parte do discurso ambiental se afastou de quem planta, cria, trabalha e gera emprego. No meio disso, a política trocou solução por palanque.

O resultado é o velho ‘oito ou oitenta’: ou se desmata em nome do progresso, ou se imagina que nada pode ser produzido. Esse dilema é falso. E atrasado.

Nenhum país sério pode tratar o meio ambiente como enfeite. O produtor depende da chuva, do solo fértil e da água. A cidade depende de rios limpos, lixo recolhido, esgoto tratado e ar respirável. E o pobre é sempre o primeiro a sofrer quando falta água, a enchente invade a casa ou o esgoto corre a céu aberto.

Preservar não é luxo. É infraestrutura de futuro.

O Brasil produz alimento para o mundo, mas ainda convive com insegurança alimentar. Fala em transição ecológica, mas mantém milhões sem esgoto tratado. Aprova leis modernas, mas descobre que nenhuma universaliza serviço público sem investimento e planejamento.

A fome não pode justificar a destruição de florestas. O Brasil não combate a fome com mata derrubada ilegalmente, mas com renda, emprego, assistência técnica, agricultura familiar, redução do desperdício, crédito responsável e inclusão produtiva. A floresta destruída quase nunca vira comida; muitas vezes vira especulação e degradação.

Há produtores que preservam nascentes, recuperam matas ciliares e aumentam a produtividade sem abrir novas áreas. Mas ainda são exceção, quando deveriam ser política de Estado.

O Dia Mundial do Meio Ambiente precisa voltar a ser chamado público: produzir mais sem destruir mais; fiscalizar sem perseguir; punir quem degrada; premiar quem conserva; levar saneamento a quem vive abandonado.

Menos espetáculo. Mais compromisso.
Menos discurso. Mais saneamento.
Menos guerra ideológica. Mais equilíbrio.

Preservar para produzir não pode ser espasmo de consciência.
Precisa ser projeto de país.


(*) EDILSON ALMEIDA é jornalista cuiabano, atualmente em Brasilia.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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