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Artigos Sexta-feira, 05 de Junho de 2026, 13:40 - A | A

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Sexta-feira, 05 de Junho de 2026, 13h:40 - A | A

LUIZ HENRIQUE

O mais hipócrita dos dias

LUIZ HENRIQUE LIMA

5 de junho é o Dia do Meio Ambiente.
Somos inundados por mensagens de governos, empresas, parlamentares e futuros candidatos a cargos eletivos. Todas bem diagramadas com belas imagens de florestas verdejantes, águas límpidas, paisagens exuberantes e pessoas saudáveis e felizes. Todas enfáticas em proclamar “compromisso” com o respeito ao meio ambiente.

Infelizmente, essa não é a realidade nos outros 364 dias do ano.

Desde a Constituição de 1988, e com raízes na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/1981), o Brasil é reconhecido por contar com uma das melhores legislações ambientais do mundo. É natural: trata-se do país que abriga a maior riqueza de biodiversidade do planeta, além de biomas únicos, preciosos e insubstituíveis como a Amazônia e o Pantanal.

No entanto, desde 2019, e com mais intensidade nos últimos dois anos, os pilares legislativos da proteção ao meio ambiente estão sendo sistemática e implacavelmente atacados e fragilizados. Tanto no Congresso Nacional quanto nas assembleias legislativas e câmaras municipais há inúmeras propostas de “flexibilização” e retrocesso das normas ambientais, algumas delas, lamentavelmente, já aprovadas.

Essa ofensiva contra o Direito Ambiental transcende partidos e fronteiras ideológicas. Encontra justificativa numa teoria econômica ultrapassada – a de que desenvolvimento é sinônimo de crescimento do PIB a qualquer custo – bem como em argumentos falaciosos que reduzem o licenciamento ambiental a mera burocracia cara, lenta e desnecessária.

Cumpre sublinhar que o PIB é apenas um índice, cuja métrica é profundamente enviesada em detrimento do meio ambiente e de outros aspectos essenciais da vida humana. Um exemplo ilustrativo: o desmatamento de uma floresta nativa faz o PIB crescer muito mais do que a sua preservação.

Considerando essas distorções, foram desenvolvidos outros indicadores, como o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano e o SDG Index – Indicador dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Entre 2016 e 2025, o PIB brasileiro cresceu a um ritmo significativamente maior que o SDG Index, ou seja, nosso crescimento econômico não tem sido ambientalmente sustentável.

Quanto ao licenciamento de atividades potencialmente danosas ao meio ambiente, não é uma formalidade burocrática, mas medida de respeito a conceitos científicos basilares como os de capacidade de suporte dos ecossistemas e de irreversibilidade dos danos em virtude de efeitos cumulativos e sinérgicos. Se, eventualmente, os procedimentos são lentos, isso se deve ao sucateamento deliberado dos órgãos de gestão ambiental, privados dos recursos orçamentários, humanos e tecnológicos indispensáveis para cumprir sua missão.

O que grande parte das elites brasileiras precisa compreender – especialmente quem ocupa posições de liderança empresarial e política – é que a defesa do meio ambiente transcende uma preocupação estética ou um imperativo de ética. Assegurar a sustentabilidade ambiental é tão indispensável à saúde econômica quanto à saúde humana.

O custo econômico e humano dos eventos climáticos extremos é dezenas de vezes superior ao das medidas de prevenção. Sem a preservação do delicado equilíbrio climático na Amazônia, torna-se impraticável o agronegócio no Sudeste/Centro-Oeste. Isso não é ideologia, é ciência; não é opinião, é fato. Quando a “bancada do boi” despertar para essa realidade será a primeira a se converter na “bancada do bio”.
Enquanto isso, caros leitores, perdoem a franqueza deste professor veterano. 5 de junho, Dia do Meio Ambiente, com todo o marketing empresarial e governamental, tem sido, na prática, com honrosas exceções, o mais hipócrita dos dias.

(*) LUIZ HENRIQUE LIMA é professor e Doutor em Planejamento Ambiental.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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