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Artigos Terça-feira, 29 de Setembro de 2026, 08:43 - A | A

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Terça-feira, 29 de Setembro de 2026, 08h:43 - A | A

WILSON FUÁH

A eleição virou uma guerra pelo poder

WILSON CARLOS FUÁH

Reprodução

wilson fuáh

Quando chega a eleição é o momento em que cidadão aumenta a sua perspectiva de dias melhores em todas as atividades do governo: serviços públicos, saúde, educação, segurança, infraestrutura, emprego e oportunidades.

Enquanto alguns travam batalhas pelo poder, a vida real continua acontecendo do lado de fora dos palanques.

Quando não existem argumentos suficientes para convencer, surgem os ataques.

Quando faltam propostas, aparecem acusações.

Quando falta conteúdo, fabrica-se escândalo.

Quando o adversário cresce, tenta-se destruí-lo.

E quando a política chega a esse ponto, o debate público deixa de ser uma disputa saudável pela confiança do eleitor e passa a ser uma batalha pela sobrevivência política.

Mas existe uma pergunta que não pode ser esquecida:

Quem paga a conta dessa guerra?

É a população.

Por isso, talvez seja necessário mudar a pergunta que fazemos durante uma eleição.

Em vez de perguntar apenas quem é contra quem, precisamos perguntar:

Quem tem propostas?

Quem apresenta um projeto viável?

Quem tem uma trajetória pública que pode ser examinada?

Quem consegue explicar o que pretende fazer e como pretende fazer?

A democracia não precisa de candidatos perfeitos. Precisa de cidadãos atentos.

Porque o voto não é uma arma para destruir o adversário. É um instrumento de escolha.

E eleição não deveria ser uma guerra de inimigos.

Deveria ser uma oportunidade de apresentar caminhos diferentes para o futuro da sociedade.

No final, as urnas silenciam os discursos e revelam a decisão do eleitor.

A política, entretanto, não termina quando termina a eleição. É justamente depois dela que começam as cobranças.

Por isso, aqueles que entram na disputa pelo poder deveriam lembrar que a cadeira conquistada pertence ao exercício da representação pública, não à propriedade particular de quem venceu.

O poder passa. O mandato passa. A eleição passa.

Mas as consequências das escolhas permanecem na vida das pessoas.

E talvez esteja aí a maior responsabilidade de todos os envolvidos no processo eleitoral: candidatos, partidos, imprensa, redes sociais e, principalmente, eleitores.

Porque quando a política transforma o adversário em inimigo, a mentira em estratégia e o ataque em argumento, alguma coisa muito importante está sendo perdida pelo caminho.

A política pode ter adversários. Não precisa fabricar inimigos.

E o eleitor merece muito mais do que uma avalanche de acusações.

Merece verdade, propostas e respeito.

Afinal, quem observa a política pela janela suja dos interesses pessoais enxergará apenas adversários.

Quem conseguir abrir a janela transparente do interesse público poderá enxergar aquilo que realmente deveria estar no centro de qualquer eleição:
o futuro da sociedade.

(*) WILSON CARLOS FUÁH é Escritor, radialista, cronista e observador atento da vida política e social de Mato Grosso, é graduado em Ciências Econômica

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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