O PIB do Brasil cresceu 2,0% nos últimos 12 meses findos em fevereiro de 2026. No trimestre móvel terminado em fevereiro (dezembro, janeiro e fevereiro), o PIB cresceu 1,4%, confirmando um ciclo de dezessete trimestres consecutivos de variação positiva.
É o que mostra estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE/FGV) divulgado em abril (Monitor PIB, abril 2026). O Monitor do PIB-FGV utiliza a mesma metodologia empregada pelo IBGE nas Contas Nacionais para calcular o PIB do Brasil.A análise em série trimestral dos componentes do PIB é mais recomendada por apresentar menor volatilidade e mitigar a exposição a afetações sazonais que as análises mensais, o que permite melhor compreensão da trajetória da atividade econômica nacional.
O destaque da variação positiva do PIB no trimestre móvel foram o consumo das famílias, que cresceu nos últimos trimestres e o investimento (Formação Bruta de Capital Fixo- FBCF) que apresentou recuperação no último trimestre móvel em relação aos anteriores.
Pelo lado da oferta, os destaques são o comércio (atacado e varejo), indústria de transformação e indústria extrativa mineral (principalmente petróleo e minério de ferro).
O componente consumo das famílias apresenta ritmo de crescimento forte a quatro trimestres seguidos, recuperando-se da desaceleração no período de maio a outubro de 2025. Destacaram-se neste componente o consumo de serviços e de bens não duráveis.
Apesar da trajetória da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) apresentar queda, esta deu-se em dimensão menor que a verificada em trimestres anteriores, puxada pela retração na aquisição de máquinas e equipamentos importados, impactados pelo aumento das tarifas comerciais impostas pelo presidente americano Donald Trump ao longo de 2025.
A redução da compra de bens e equipamentos importados foi compensada pelo aumento na aquisição de bens e equipamentos de fabricação nacional. A queda foi menor que a verificada nos trimestres anteriores, sinalizando o início de um ciclo de recuperação do investimento, contribuindo para elevar a taxa de investimento da economia para 20,7%.
As exportações cresceram 13,4% no trimestre móvel, impulsionadas pelo expressivo aumento das vendas de petróleo e produtos agropecuários, principalmente para a China. A exportação de serviços também teve crescimento, colaborando para o resultado positivo do componente e do PIB.
As importações, por outro lado, tiveram queda no trimestre analisado, especialmente produtos da agropecuária, bens de capital e da indústria extrativa mineral.
A boa performance da atividade econômica por dezessete trimestres consecutivos e a expectativa de crescimento de 2,5% em 2026, ajudam a esquentar o debate entre economistas, empresários, acadêmicos e analistas políticos sobre as razões que levam a população brasileira a manter seguidamente a avaliação positiva do governo federal em níveis medianos (abaixo de 50%), mesmo com o desempenho macroeconômico do país em nível satisfatório. À guisa de comparação, ao final do seu segundo mandato, em 2010, a aprovação do então presidente Lula estava em 80%.
Vários artigos e estudos foram publicados recentemente a respeito da desconexão entre desempenho macroeconômico e sensação de melhoria por parte da população.
Afinal, nas próximas eleições presidenciais a escolha da população será definida mais pelo “voto econômico” ou pela “pauta de costumes”?
As interpretações são das mais variadas, com componentes de microfinanças, políticos, sociológicos e econômicos que transitam desde a comparação que a população faz das boas entregas do Presidente Lula nos dois primeiros mandatos (2003-2010), elevação do patamar de aspiração de consumo e qualidade de vida, acirramento do extremismo político à direita e à esquerda, dominância política da direita no senado federal e na câmara dos deputados ao surgimento das redes digitais que turbinaram a níveis estratosféricos jamais vistos o ativismo político digital.
Um possível “cansaço” da população com governos de esquerda é outro componente intangível relevante na análise de especialistas. Reforça esta linha de análise o fato que, das nove eleições realizadas desde a redemocratização do Brasil, o Partido dos Trabalhadores venceu cinco, a centro esquerda venceu duas, com Fernando Henrique Cardoso e a direita venceu apenas duas com Fernando Collor e Jair Bolsonaro.
Partilho da análise que o componente econômico terá papel relevante na definição do voto em outubro próximo. A conferir no decorrer da campanha e após a abertura das urnas.
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