A partir de quinta-feira (20), estará aberto o período de envio de amostras de soja ao Semente Forte, iniciativa da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) que afere a qualidade dos lotes adquiridos pelos produtores mato-grossenses antes que a semente vá para o solo. O associado recebe um laudo com os índices de germinação, vigor, pureza física e condição fitossanitária do material, informações capazes de orientar as decisões do início da safra 2026/2027, que já se desenha desafiadora.
O caminho para participar começa no Canal do Produtor, pelo telefone (65) 3027-8100, com a abertura de uma Ordem de Serviço. O pedido é direcionado ao supervisor responsável pela região onde está a propriedade, e é ele quem realiza a coleta. O material segue para laboratório credenciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), e o resultado retorna ao produtor em documento técnico. A recomendação da equipe é que a amostragem seja feita assim que a semente chega à fazenda, para que eventuais falhas de armazenagem não comprometam a qualidade do lote.
Criado em 2017 pela Comissão de Defesa Agrícola, o programa soma mais de 8,2 mil amostras de soja e milho analisadas, segundo o coordenador da comissão, Fernando Ferri, o resultado da análise é um aliado fundamental diante das incertezas do clima. “O Semente Forte serve para verificar os lotes sobre os quais o produtor tem dúvida. Semente é um ser vivo e cada safra traz uma qualidade diferente. Como choveu muito na última colheita, podemos ter lotes com menor vigor e germinação”, explica.
Ferri reforça que o laudo não substitui o manejo correto na semeadura, mas dá a base necessária para a tomada de decisão. “É importante que o produtor tenha confiança na viabilidade da semente e plante sempre com a umidade adequada para alcançar o estande almejado”, orienta. Conhecer a taxa real de germinação permite ajustar a densidade, definir a janela de semeadura e evitar prejuízos com replantio.
O QUE MUDA NA LAVOURA
Quando o resultado aponta que o material está abaixo do contratado, o mesmo laudo passa a sustentar a conversa com o fornecedor. "Nossa equipe faz a coleta oficial, com amostradores oficiais. Isso dá o embasamento técnico para o produtor questionar o lote ou enviar o material a um laboratório de confiança", diz Ferri.
Foi o que ocorreu com o produtor Alberto Luiz Chiapinotto, da Agrícola Irmãos Chiapinotto, em Jaciara, que recorreu ao programa pela primeira vez na safra passada, por indicação do supervisor regional. O laudo apontou que o lote recebido não atendia aos parâmetros de germinação e vigor. “Com o resultado do laboratório, tivemos segurança e respaldo para acionar o fornecedor”, conta.
A negociação resultou na devolução do material e na substituição por outro lote dentro do padrão. “Não devemos confiar apenas na informação da sementeira. É preciso ter a confirmação de um laboratório para saber exatamente a qualidade do que chegou à fazenda. É muito melhor descobrir um problema na semente antes do plantio do que depois que ela já está no solo”.
Em Canarana, o produtor Jairo Guilherme Dieter chegou ao programa em uma situação diferente: o lote nem sequer havia sido entregue. Os testes que ele mesmo conduziu ainda com a semente no depósito do fornecedor apontaram germinação e vigor abaixo do que fora negociado em contrato. O fornecedor não reconheceu o problema. "Segundo eles, o teste dizia que a semente era boa, e queriam me entregar o material contra a minha vontade", conta. Foi nesse impasse que Dieter acionou a Aprosoja MT.
O supervisor da região, foi até o depósito, conversou com a empresa e realizou uma nova coleta oficial. Parte das amostras seguiu para análise e o produtor ficou com o restante para montar um plantio de teste na propriedade. O canteiro nem chegou a completar o prazo de germinação. Três dias depois da visita do supervisor, a empresa aceitou a devolução do lote. Dieter comprou a semente de outro fornecedor e conduziu a safra sem novos contratempos. "Antes de a Aprosoja entrar na jogada, a empresa não queria aceitar a devolução nem fazer a troca", relata. "Tenho certeza de que, se tivesse plantado aquela semente, teria um prejuízo grande."
PLANEJAMENTO COMEÇA NO ARMAZENAMENTO
A qualidade aferida em laboratório também depende de como a semente é guardada até a semeadura. A orientação técnica da Aprosoja MT é manter o material em local limpo, livre de pragas e roedores, sobre pallets que evitem o contato direto com o piso, em ambiente refrigerado ou bem ventilado e sem incidência direta de luz solar.
O ambiente pesa especialmente em Mato Grosso, onde calor elevado acelera a perda de viabilidade. A orientação técnica é armazenar as sementes com teor de umidade abaixo de 12%, em local com temperatura inferior a 25 °C, e nunca junto com adubo, calcário ou agroquímicos. Quando a propriedade não reúne essas condições, o melhor caminho é retirar o material do armazém do fornecedor apenas próximo à data da semeadura.
O cuidado tem efeito imediato no campo. Lotes de qualidade proporcionam melhor germinação, maior vigor, nascimento uniforme da lavoura, melhor aproveitamento de água e nutrientes e menor necessidade de replantio. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), sementes de alta qualidade podem elevar o rendimento da soja entre 10% e 15%. O primeiro investimento da safra é também o que define o potencial de toda a lavoura. Uma lavoura forte começa com uma semente forte.
SERVIÇO
Solicitação de coleta — Canal do Produtor: (65) 3027-8100
Abertura de Ordem de Serviço direcionada ao supervisor da região
Análise em laboratório credenciado pelo Mapa
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