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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2026, 14h:30 - A | A

Supostas vítimas de Michael Jackson pedem mais de R$ 1 bilhão em indenização na Justiça

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Supostas vítimas de abuso sexual atribuído a Michael Jackson entraram com um pedido de indenização de US$ 200 milhões, cerca de R$ 1,8 bilhão, contra o espólio do cantor na Justiça americana. A informação foi divulgada pelo site TMZ.

O caso envolve Frank Cascio e seus irmãos, que alegam que um acordo firmado em 2020 com a família do artista teria sido feito sob coação.

O processo foi apresentado ao tribunal nesta quinta-feira, 15. De um lado, os representantes do espólio classificam a ação como uma tentativa de extorsão. Do outro, os advogados da família Cascio sustentam que os danos psicológicos atribuídos aos abusos persistem até hoje.

Disputa entre advogados

Durante a audiência, Marty Singer, advogado que representa o espólio de Michael Jackson, afirmou que as acusações fazem parte de uma estratégia para obtenção de vantagem financeira. A defesa das supostas vítimas, por sua vez, rejeita essa versão.

Howard King, advogado dos Cascio, afirmou no tribunal que seus clientes seguem traumatizados. Segundo ele, um dos irmãos estaria "gravemente abalado" pelos episódios relatados. King declarou ainda que as alegações não são falsas, rebatendo a tese apresentada pelos representantes do patrimônio do cantor.

O advogado afirmou que, ao assumir o caso em 2024, entrevistou os cinco irmãos, reunindo mais de dez horas de depoimentos gravados em vídeo.

Para sustentar o valor pedido, King citou um acordo anterior envolvendo Michael Jackson, que teria pago cerca de 25 milhões de dólares (R$ 134 milhões), a um único acusador nos anos 1990. No caso atual, são cinco supostas vítimas.

Histórico de relação com o cantor

Frank Cascio foi assistente pessoal de Michael Jackson e integrou seu círculo próximo por mais de três décadas. A relação teve início após o pai de Cascio conhecer o cantor enquanto trabalhava em um hotel em Nova York.

Com o tempo, Jackson passou a frequentar a casa da família, especialmente após os atentados de 11 de setembro, segundo reportagem publicada no New York Amsterdam News.

Em 2011, Cascio publicou o livro Meu Amigo Michael, no qual defendeu o cantor de forma enfática. No texto, afirmou que o comportamento de Jackson com crianças era "inocente" e "mal interpretado", e disse nunca ter presenciado nada que levantasse suspeitas, nem na infância nem na vida adulta.

Acordo confidencial e retomada do conflito

De acordo com o espólio, o cenário mudou após a exibição do documentário Leaving Neverland, da HBO, em 2019. Segundo os coexecutores do patrimônio de Jackson, John Branca e John McClain, Cascio e seus advogados teriam procurado os administradores do espólio oferecendo materiais e serviços de consultoria, o que teria evoluído para um impasse judicial.

Em janeiro de 2020, foi firmado um acordo confidencial, com cláusulas de arbitragem e pagamentos parcelados ao longo de cinco anos.

O conflito voltou à tona em julho de 2024, quando Cascio passou a exigir 213 milhões de dólares, cerca de R$ 1,15 bilhão. Segundo os representantes do espólio, a ameaça envolvia ampliar a divulgação das acusações e impactar negociações comerciais relevantes.

Entre os negócios citados está a venda de 50% do catálogo musical de Michael Jackson para a Sony, concluída em 2024 por US$ 600 milhões (R$ 3,2 bilhões). Para o espólio, a nova ação judicial está diretamente ligada a esse contexto.

(Com Agência Estado)

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