Em um longo texto publicado nas redes sociais, o rapper contou sua versão sobre os bastidores do episódio e disse estar chateado com o amigo, com quem mantém uma relação há 13 anos.
Segundo Macklemore, Kraft teria procurado Sheeran depois de um discurso feito pelo rapper no MetLife Stadium, em Nova Jersey, no início deste mês. Na ocasião, ele manifestou apoio à causa palestina e pediu "paz em Gaza e na Cisjordânia".
"Ed é meu amigo. Eu o conheço há 13 anos. Já compartilhamos conversas tarde da noite, sessões no estúdio e palcos. Ele tem essa magia contagiante que aprendi a amar. Eu o considero como um irmão. E, por isso, tivemos algumas conversas difíceis nesta última semana", escreveu.
O rapper afirmou que decidiu tornar públicas as informações sobre o caso apesar da amizade com Sheeran. Para ele, a relação entre os dois não muda sua responsabilidade de relatar o que teria acontecido nos bastidores.
"Ed me contou que Robert Kraft ligou para ele. Estávamos com um show marcado para o Gillette Stadium, de propriedade do Kraft Group, para o final deste mês. Ed me disse que Kraft afirmou que eu não teria permissão para me apresentar no estádio dele", contou.
Ainda de acordo com Macklemore, Kraft teria procurado outros proprietários de estádios e, juntos, eles teriam colocado Sheeran diante de um ultimato: "Se Macklemore continuar na turnê, ele não teria permissão para se apresentar nos locais gerenciados por eles".
A versão apresentada pelo rapper ocorre depois que sua saída da The Loop Tour foi anunciada. A Messina Touring Group, responsável pela promoção da etapa americana da turnê, afirmou à Rolling Stone que havia sido informada pelos locais das próximas apresentações de que não permitiriam shows com Macklemore na programação.
"Fomos notificados, pelas casas de shows das próximas datas da turnê americana, que elas não permitirão a realização de shows com Macklemore na programação, o que resultaria no cancelamento da turnê e impactaria centenas de milhares de fãs. Após discussões com as partes interessadas, Macklemore não se apresentará nas datas restantes da turnê de abertura."
Macklemore estava escalado para oito dos dez shows restantes da etapa americana da turnê. A programação será retomada em 19 de setembro, na Filadélfia.
Entre os estádios que teriam se oposto à participação do rapper estão o Lincoln Financial Field, na Filadélfia; o Gillette Stadium, em Foxborough, Massachusetts; o Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, Geórgia; o Lucas Oil Stadium, em Indianápolis; o Bank of America Stadium, em Charlotte, Carolina do Norte; o AT&T Stadium, em Arlington, Texas; e o Raymond James Stadium, em Tampa, Flórida.
Até o momento, representantes de Sheeran e dos estádios citados não se manifestaram sobre as alegações.
Discurso pela Palestina
Macklemore, que manifesta apoio à causa palestina há vários anos, havia se juntado à turnê de Sheeran no início de setembro. O rapper realizou dois shows no MetLife Stadium, nos dias 4 e 5. Na primeira apresentação, gritou "Palestina Livre" no palco e declarou solidariedade às pessoas de Gaza e da Cisjordânia.
Durante o show, ele também exibiu imagens da devastação em Gaza e apresentou Hinds Hall, música de protesto inspirada nos manifestantes pró-Palestina da Universidade Columbia, em Nova York. A canção faz referência a Hind Rajab, menina palestina de seis anos morta em Gaza em 2024.
"Uma grande parte da razão pela qual eu quis fazer esta turnê foi para poder subir em estádios como este e dizer duas palavras que são muito importantes para mim: Palestina Livre", disse ele durante o primeiro show no MetLife.
"Eu disse: Palestina Livre! Quero que essas palavras sejam ouvidas em alto e bom som, para que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia ocupada saibam que não nos esquecemos delas", completou.
Depois da repercussão das apresentações, organizações e pessoas ligadas à causa pró-Israel criticaram a manifestação e houve pressão para que Macklemore fosse retirado da turnê. A cantora Pink também se pronunciou sobre o episódio.
No comunicado que confirmou a saída do rapper, porém, a Messina Touring Group não citou especificamente Robert Kraft nem afirmou que ele foi responsável pela decisão. A empresa disse apenas que recebeu notificações de diferentes locais de que os shows não poderiam acontecer com Macklemore no elenco.
Em seu pronunciamento desta segunda-feira, Macklemore também criticou a posição "apolítica de Ed e de muitos outros envolvidos", embora tenha dito compreender os riscos financeiros e profissionais de assumir uma posição política.
"O que eu disse no MetLife é algo que venho dizendo em palcos ao redor do mundo há quase três anos. Então, por que isso virou um problema agora? Porque agora estou dividindo o palco com um dos maiores artistas do mundo, em alguns dos maiores estádios dos Estados Unidos", continuou.
Apesar do desentendimento, o rapper afirmou que espera preservar a amizade com Sheeran: "13 anos de amizade não desaparecem por conta de uma briga dolorosa. Minha porta sempre estará aberta para continuarmos essa conversa".
"Eu não precisava de 10 shows do Ed. Eu precisava de dois. Duas chances de estar na frente de 90 mil pessoas e dizer as palavras que, de alguma forma, tornaram-se perigosas demais para serem ditas. Palestina livre", finalizou.
Shows no Brasil
A The Loop Tour também tem passagem prevista pelo Brasil. Ed Sheeran se apresenta nos dias 5 e 6 de dezembro, no Allianz Parque, em São Paulo. Finneas, irmão de Billie Eilish, está anunciado como atração de abertura.
(Com Agência Estado)
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