O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT), Tião da Zaeli (PL), avaliou que as lojas do Centro de Cuiabá enfrentam um cenário de dificuldades provocado pela expansão das vendas online, pela falta de estacionamento e pela descentralização dos serviços para os bairros.
Segundo levantamento recente do Sebrae, com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o comércio aparece em quinto lugar entre os setores que mais geram empregos em Mato Grosso. Apesar da relevância econômica, a região central tem registrado um fluxo de pessoas menor do que em anos anteriores.
Tião atribuiu parte do esvaziamento do Centro ao crescimento do comércio eletrônico. Segundo ele, algumas lojas passaram a funcionar como “showrooms”, onde os consumidores conhecem os produtos, mas realizam a compra pela internet.
"As pessoas veem o produto, gostam do produto e compram no site", explicou.
O presidente da Fecomércio-MT destacou que manter uma loja física envolve custos elevados, como impostos, IPTU e mão de obra. Por isso, muitos estabelecimentos acabam encerrando as atividades.
A situação, conforme Zaeli, é ainda mais difícil para as lojas instaladas em shopping centers, que enfrentam despesas maiores para permanecer em funcionamento.
"É um grande desafio. Não temos a receita certa para essa situação. Estamos abertos a discussões".
Na avaliação de Tião, o crescimento das compras pela internet também provoca impactos na arrecadação pública. Ele afirmou que o governo perde recursos devido à evasão no pagamento de impostos em parte das operações realizadas no comércio eletrônico.
Outro fator apontado pelo dirigente é a descentralização dos serviços. Com a instalação de bancos, grandes lojas e outros equipamentos nos bairros, os consumidores conseguem resolver suas necessidades sem precisar se deslocar até o Centro.
"Por conta da dificuldade do trânsito, às vezes as pessoas acabam tendo suas necessidades atendidas no próprio bairro, e isso acaba esvaziando o Centro", pontuou.
Questionado sobre a possibilidade de um plano conjunto entre o Governo do Estado, a Prefeitura de Cuiabá e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) para reverter o esvaziamento da região central, Tião afirmou que ainda não existe uma solução pronta, mas destacou que a situação exige a abertura do diálogo.
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