O vereador Bruno Rios (PL), líder da prefeita Flávia Moretti (PL) na Câmara Municipal de Várzea Grande, poderá enfrentar um procedimento por suposta quebra de decoro parlamentar. A medida decorre da conclusão de uma sindicância interna que investigou a denúncia de um aparelho de escuta clandestina encontrado em seu gabinete em maio deste ano. A decisão pela abertura do processo administrativo foi fundamentada na recusa injustificada do parlamentar e de sua equipe em colaborar com os trabalhos da comissão processante, conforme o documento.
A determinação consta no despacho da presidência da Casa de Leis, assinado pelo presidente da Casa de Leis, Wanderley Cerqueira (MDB) no dia 2 de julho. O documento homologou o relatório final da sindicância, que apontou que o próprio vereador comprometeu a investigação ao não seguir os protocolos de preservação de evidências.
LEIA MAIS: Gabinete de Bruno Rios passa por perícia após vereador encontrar escuta; veja vídeo
"Restou categoricamente demonstrado que a materialidade e a autoria do suposto ilícito restaram prejudicadas em face da irrecuperável quebra da cadeia de custódia da prova, operada pelo próprio condutor do artefato, bem como pela manifesta ausência de cooperação e recusa injustificada do parlamentar denunciante e de seus assessores em prestarem depoimento", diz trecho da determinação.
Diante do parecer, o caso foi encaminhado à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar para apurar a falta disciplinar de Bruno Rios. Além disso, a Secretaria Administrativa foi instruída a instaurar Processos Administrativos Disciplinares (PAD) contra seis assessores do gabinete que também se negaram a prestar depoimento perante a comissão legalmente constituída.
ENTENDA
O episódio teve início em maio de 2026, quando Bruno Rios denunciou publicamente ter encontrado um dispositivo de áudio em seu gabinete. Na ocasião, o caso gerou forte repercussão política, levando ao adiamento de sessões ordinárias para que a Polícia Civil, por meio da Gerência de Contrainteligência (GECOI), realizasse uma varredura técnica nas dependências da Câmara.
O incidente ocorreu pouco tempo após a prefeita Flávia Moretti também afirmar ter encontrado um artefato semelhante em sua mesa de trabalho, caso que passou a ser investigado pela Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor).
Entretanto, ao longo da apuração interna na Câmara, surgiram controvérsias sobre a conduta do parlamentar. A administração da Casa informou que apenas o vereador e seus assessores possuíam as chaves do gabinete e que não foram encontrados sinais de arrombamento, o que dificultaria o acesso de terceiros sem autorização.
Além disso, o Legislativo afirmou que Rios não comunicou oficialmente a Casa ou a Guarda Municipal no momento da descoberta, preferindo levar o caso diretamente à imprensa, o que, segundo a decisão atual, resultou na "quebra da cadeia de custódia" da suposta prova. Com a homologação do relatório, o foco da investigação desloca-se agora da suposta "arapongagem" para a responsabilidade funcional e ética dos envolvidos.
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.









