Quarta-Feira, 03 de Junho de 2020, 14h:54

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SES fala em agravamento da Covid-19 e cita aproximação do colapso na saúde em MT

Por: KHAYO RIBEIRO

O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, apontou que Mato Grosso está em uma curva ascendente de contágios pela Covid-19, o coronavírus. Durante entrevista, realizada na manhã desta quarta-feira (03), o gestor afirmou que a situação deve se agravar nos próximos dias e acrescentou que a Saúde já está mais próxima de colapsar do que esteve no início da pandemia.

Mayke Toscano/Secom-MT

secretario gilberto figueiredo com mácaras

Secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo

Segundo o boletim emitido pela secretaria de Estado de Saúde na terça-feira (02), Mato Grosso conta com 30,2% das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para pacientes infectados ocupados. Quando considerados os leitos de enfermaria, a taxa de ocupação cai para 7,3%. Apesar de os números totais de ocupação ainda não serem tão expressivos quando comparados aos de outros estados que experimentam o colapso na saúde, o apontamento de Figueiredo sugere que este momento pode não estar mais tão distante.

No entendimento do gestor, é clara a relação direta entre a flexibilização das atividades e o aumento no número de casos, uma vez que há aumento da circulação de pessoas. Dessa forma, o secretário classificou como “antecipadas” as ações de alguns municípios que suspenderam parte de suas atividades ainda no início da pandemia e, agora, com o avanço do vírus e aumento de casos, retomam suas atividades como é o caso de Cuiabá.

“E agora nós não temos mais condições de segurar e vamos ter que flexibilizar, vamos flexibilizar no momento mais desconfortável que é justamente quando nós temos uma curva muito ascendente no número de casos. Então, vai aumentar o número de casos, nós muito provavelmente vamos chegar a uma situação desconfortável porque ao mesmo tempo todos chegando e demandando por leitos de UTI é o que se chama do colapso na saúde. Então, é muito provável que estejamos agora muito mais próximos desse momento do que já tivemos no passado”, disse Figueiredo.

Assessoria de Comunicação

CENTRO CUIABA

 Cuiabá durante pandemia da Covid-19

As flexibilizações das quais o gestor se refere dizem respeito ao retorno das atividades de serviço praticadas por diversas cidades de Mato Grosso. O início desta retomada foi realizada há algumas semanas, após decreto do governador Mauro Mendes (DEM) que sugeria que ações mais enérgicas só deveriam ser tomadas após uma taxa de ocupação de 60% dos leitos de UTIs. Antes disso, quando alguns municípios ainda experimentavam uma contenção maior quanto à circulação, os números totais relativos à pandemia eram menos expressivos.

“Não existe mágica em uma pandemia. Os especialistas do mundo inteiro indicam que a melhor solução é o isolamento social. A flexibilização ela permite que o vírus circule com uma velocidade maior já que o ser humano é o principal transmissor. Então, isso vai acontecer. Nós tomamos decisões antecipadas que de alguma forma antecipou a população, a economia regional, quando nós tínhamos um número pequeno de casos. Daí a dificuldade em se graduar as decisões. Não estou aqui culpando ninguém, mas quando a gente tem uma estratégia acontece isso”, acrescentou o secretário.

De acordo com a SES, Mato Grosso tem mais de 2,8 mil casos de contágio registrados, dos quais apenas 799 são hoje considerados curados do vírus. A pasta também informa que há mais de 2,8 mil ocorrências suspeitas de Síndrome Respiratória Aguda Grave, da qual o coronavírus faz parte. O estado contabilizou, até a tarde de terça-feira, 75 óbitos pela doença.

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