A inauguração da primeira etapa da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, marcada para este sábado (20), em Dom Aquino, acabou expondo uma divergência pública entre os filhos do ex-senador Vicente Emílio Vuolo, considerado o principal idealizador da ligação ferroviária de Mato Grosso com o restante do país.
A discussão começou após o filho mais velho do ex-senador publicar uma nota afirmando que não havia sido convidado para representar o pai na solenidade. A manifestação, que também foi compartilhada pela ex-senadora Serys Slhessarenko nas redes sociais, dizia:
"Sábado será inaugurada mais 100 km da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo. A empresa Rumo é a quarta empresa que está construindo a Ferrovia Senador Vuolo. Não fui convidado para representar o meu saudoso pai na solenidade, nem pelo Governo do Estado e nem pela empresa Rumo. Foram 50 anos de luta para a realização desse sonho. Mesmo assim, desejo uma bela festa."
Procurado pelo HNT, o presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo, outro filho do ex-senador, apresentou uma versão diferente. Ele afirmou que recebeu convite oficial da concessionária Rumo e confirmou que representará a família durante a cerimônia, acompanhado da irmã Gleyde Vuolo, além da esposa, do filho e de integrantes do Fórum Pró-Ferrovia.
"Eu fui convidado junto com a minha irmã. A família estará representada. Alguém fez o convite, sim, e nós estaremos presentes", afirmou.
Segundo Francisco, a proximidade com a concessionária e o convite decorrem do trabalho desenvolvido pelo Fórum Pró-Ferrovia desde 2004, entidade criada após a morte do senador para dar continuidade à defesa da expansão ferroviária em Mato Grosso.
"Desde que o papai faleceu, em 2001, nós criamos o Fórum Pró-Ferrovia em 2004 para dar continuidade a essa luta. Sempre defendemos o avanço da ferrovia para Cuiabá e participamos ativamente da construção desse projeto", disse.
Divergências antigas
Durante a entrevista, Francisco também revelou que ele e o irmão tiveram posicionamentos diferentes durante a discussão sobre o modelo adotado para a implantação da Ferrovia Estadual.
Segundo ele, enquanto o Fórum Pró-Ferrovia defendia a autorização estadual concedida à Rumo, o irmão discordava do formato escolhido.
"Na época em que defendemos a ferrovia estadual, meu irmão se manifestou contra. Ele defendia outro modelo, com outras ferrovias. Nós entendíamos que a autorização estadual era o caminho para tirar o projeto do papel com mais rapidez", afirmou.
Francisco explicou que, na avaliação do Fórum, a opção pelo modelo estadual permitiu acelerar o licenciamento, a fiscalização das obras e a implantação do empreendimento.
"Se dependêssemos apenas de uma concessão federal, dificilmente a ferrovia teria avançado com essa velocidade", argumentou.
Expectativa agora é Cuiabá
Apesar da inauguração do novo terminal ferroviário em Dom Aquino, Francisco afirmou que o principal objetivo do Fórum Pró-Ferrovia continua sendo a chegada dos trilhos à Capital.
Segundo ele, o contrato firmado com a concessionária prevê prioridade para o ramal até Cuiabá.
"A expectativa agora é pela liberação das licenças ambientais e pelo anúncio do início das obras rumo a Cuiabá. Esse sempre foi o compromisso e é isso que esperamos ver acontecer a partir desta nova etapa", declarou.
Ele acrescentou que o Fórum já mantém reuniões com empresários, parlamentares e representantes do setor produtivo para discutir a implantação do futuro terminal ferroviário na Capital.
Obra histórica
A cerimônia deste sábado marcará a entrega da primeira etapa da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo, empreendimento executado pela Rumo. O novo terminal, instalado em Dom Aquino, representa o início da operação do primeiro trecho da ferrovia estadual, considerada a maior obra privada de infraestrutura em execução em Mato Grosso.
Inicialmente, havia expectativa de participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas o Palácio do Planalto confirmou que o chefe do Executivo não participará da inauguração por incompatibilidade de agenda. A representação do governo federal ficará a cargo do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
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