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Política Quarta-feira, 19 de Agosto de 2026, 16:30 - A | A

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MT LIDERA ÍNDICES

Em meio à alta de feminicídios, Galvan atribui morte de mulheres à "desestruturação familiar"

Candidato do Avante afirmou que o combate aos crimes de gênero deve focar as causas econômicas nos lares e questionou se o endurecimento das penas trouxe resultados práticos

BIANCA MORTELARO
Da redação/Do local

HNT

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O candidato ao Senado, Antônio Galvan (Avante), afirmou nesta quarta-feira (19) que a causa central para o elevado índice de feminicídios em Mato Grosso é a "desestruturação familiar, principalmente econômica", minimizando a eficácia de leis específicas de proteção à mulher. Em coletiva de imprensa, Galvan defendeu que o foco do poder público deve ser a investigação das condições de vida das famílias, em vez da diferenciação jurídica entre homicídios e crimes de gênero.

A declaração ocorre em um momento de alerta para o estado que registrou 31 mortes em razão do gênero entre janeiro e agosto de 2026, 53 vítimas de feminicídio em 2025 e detém a terceira maior taxa de mortes do gênero no país, sendo 2,7 por 100 mil habitantes, atrás apenas de Acre e Rondônia. Ao ser questionado sobre políticas públicas para o problema de segurança pública, o candidato comparou a legislação atual ao sistema de cotas e sugeriu que o rigor da lei não atinge a raiz do problema.

"O que eu posso falar sobre esse assunto é que quando se diferencia leis é igual às cotas. Quem concorda com cota aqui? O que está acontecendo na realidade hoje é que estão atacando o problema, mas não a causa. Onde está a causa? Alguém foi ao lar dessa família para saber como é que eles estavam vivendo? E quando chega nesse ponto, eu não concordo com a morte de ninguém", declarou o candidato.

A postura de Galvan ignora levantamentos do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que apontam uma escalada de 38,7% nas tentativas de feminicídio no estado, com um índice de 12,5 casos por 100 mil habitantes, valor três vezes superior à média nacional.

LEIA MAIS: MT é o terceiro estado com maior taxa de feminicídios do país, segundo Anuário

No entanto, o candidato associou a violência doméstica diretamente ao cenário macroeconômico e ao custo de vida, sugerindo que conflitos domésticos letais são reflexos da crise financeira.

“É o desagregamento de dentro de casa. Você tem que buscar para saber o que está acontecendo com aquela família. Você tem que buscar qual é o problema, porque ninguém chega numa primeira vez e comete, ou seja, um homicídio ou um feminicídio, ou seja, a mulher mata o homem, que também tem e tem muito desse crime. Eu não vejo dar tanta ênfase nisso também, com o inverso”, disse.

O candidato finalizou seu raciocínio questionando se o endurecimento das penas, previsto na Lei de Feminicídio que estabelece a reclusão de 20 a 40 anos, trouxe resultados práticos.

“Não concordo porque a morte de uma mulher não é diferente da morte de um homem. Nós somos seres humanos. Toda lei que prevalece de um lado, ela não funciona e nunca funcionou e não vai funcionar. E não é você colocar no papel alguma coisa e escrever que vai resolver o problema. Não endureceram mais as penas em relação ao feminicídio? Resolveu?”, questionou.

As falas do candidato contrastam com a realidade de violência extrema registrada em Mato Grosso apenas na última semana, que contabilizou três casos graves de feminicídio ou tentativa.

No sábado (15), em Cuiabá, Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, foi assassinada a tiros pelo companheiro na frente do filho de 3 anos após uma discussão. No domingo (16), em Sorriso, a ex-candidata a vereadora Janaíne de Oliveira foi esfaqueada e golpeada na cabeça com um pedaço de madeira pelo marido.

Já na segunda-feira (17), em Nova Mutum, uma mulher de 32 anos foi esfaqueada mais de 15 vezes por um ex-companheiro que descumpriu medidas protetivas e utilizava tornozeleira eletrônica no momento do ataque.

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