O ex-ministro e coordenador da pré-campanha do presidente Lula, Gilberto Carvalho, denunciou o uso de programas do Governo Federal por gestões estaduais e municipais que estariam "rebatizando" ações nacionais para omitir a autoria da União. Em visita a Cuiabá, Carvalho afirmou que essa prática, somada a campanhas de desinformação, contribuiu para a resistência ao nome do presidente em regiões como Mato Grosso, mas ressaltou que o cenário está mudando após uma série de viagens presidenciais para retomar o crédito por obras e investimentos.
O coordenador petista explicou que a estratégia do partido para as próximas eleições será focar na transparência sobre a origem dos recursos públicos. Segundo ele, há um esforço deliberado para esconder as realizações federais sob nomes locais.
“Nós apostamos muito na luta da luz contra a sombra. Porque o que nos afasta, o que afasta muita gente do voto da confiança do presidente Lula, é uma campanha difamatória, é a falta de informação, é o uso indevido de programas nacionais, batizados com programas estaduais aqui. Às vezes os governos de Estado fazem uma pequena contribuição no investimento e já põem o nome daquele programa. Então, nós vamos mostrar para o nosso povo o que nós realizamos”, afirmou Gilberto, em coletiva nesta sexta-feira (24).
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Carvalho detalhou que essa prática não é exclusividade de Mato Grosso, mas uma tendência nacional de governos locais que aproveitaram a estrutura federal para obter ganho político próprio. Ele classificou a atitude como uma falta de ética administrativa e um aproveitamento indevido de iniciativas já consolidadas.
“Não é só aqui no Mato Grosso. É que muitas vezes os governos locais, não tendo condição de lançar um programa, acham mais fácil se aproveitar de um programa já existente, acrescentam alguma coisa, uma pequena contribuição, e tomam essa liberdade, a meu juízo, indevida de fazer”, disse.
Ele complementou a fala, ressaltando que: “É um oportunismo, eu não posso dar outro adjetivo para essa atitude, mas nós queremos mostrar agora para o povo de onde vem o recurso. Quem é que, de fato, tomou aquela iniciativa, de onde veio aquele recurso? Que é o recurso que não é nosso, é o recurso do povo brasileiro”.
Além da disputa pela "paternidade" das obras, o ex-ministro revelou detalhes sobre o ânimo do presidente Lula nos bastidores. Ele descreveu um período recente de frustração presidencial com os índices de popularidade, o que teria motivado uma mudança de postura e uma intensa agenda de viagens para confrontar diretamente as narrativas de prefeitos e governadores.
“Ele [Presidente Lula] tem até uma tristeza, quase que uma mágoa, de ver tudo que ele fez e, até agora, que o nosso índice de rejeição era maior do que o de aprovação. Tanto que ele ficou doido nos últimos três meses. O que ele fez? Ele saiu pelo país, inaugurando tudo que ele podia inaugurar, mudando a comunicação, desmascarando muitos governadores e prefeitos que se apossaram de programas nossos e rebatizam esses programas. E isso deu resultado. Tanto que a curva de rejeição começou a cair e a curva de aprovação começou a subir”, concluiu.
A fala de Carvalho ocorre em um momento em que o PT tenta reverter o placar histórico de derrotas em Mato Grosso e consolidar a aliança com o PSD para 2026. O coordenador reforçou que o foco da militância será o combate à desinformação, apostando na entrega direta de informações sobre o destino dos recursos federais para diminuir a rejeição ao governo no estado.
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