Os seis candidatos ao governo de Mato Grosso apresentaram propostas e trocaram críticas nesta quinta-feira (20), durante o diálogo “Agricultura em Pauta: Propostas para Mato Grosso”, promovido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), em Cuiabá. Entre os temas discutidos estiveram a regularização ambiental e fundiária, rastreabilidade da produção, Fethab, Ferrogrão, armazenagem e proteção da propriedade rural.
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou que pretende acelerar a análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) por meio do programa “CAR 2.0”. Segundo ele, 84 municípios já foram credenciados e 50 analistas foram contratados para analisar os casos mais complexos. A meta apresentada pelo governador é zerar, em dois anos, o estoque de processos de regularização de terras em Mato Grosso.
Laudicério Machado (Agir) destacou a necessidade de garantir segurança jurídica aos produtores rurais e defendeu que a preservação ambiental não seja colocada como obstáculo à atividade produtiva.
“O meio ambiente não pode ser inimigo de quem produz”, afirmou.
Maurício Coelho (Mobiliza) criticou a retirada de incentivos de empresas signatárias da moratória da soja, apontando que a medida, defendida pelo mercado europeu, pode reduzir o espaço de Mato Grosso no comércio internacional. Para ele, o próximo governo deve buscar novos mercados e ampliar parcerias comerciais para o agronegócio.
Rafael Millas (Missão) afirmou que os produtores são tratados como “suspeitos” pelo governo e propôs a criação de um painel público para acompanhar, em tempo real, a tramitação dos pedidos de CAR.
Natasha Slhessarenko (PSD) defendeu que a regularização fundiária seja tratada como prioridade e sugeriu maior integração entre a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) e o Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat).
Arte/HNT
Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL), Natasha Slhessarenko (PSD), Maurício Coelho (Mobiliza), Rafael Millas (Missão) e o Sargento Laudicério Machado (Agir).
RASTREABILIDADE
A rastreabilidade da produção também foi discutida. Wellington Fagundes (PL) defendeu parcerias com universidades e investimentos em inovação para aprimorar o acompanhamento da cadeia produtiva.
Pivetta afirmou que Mato Grosso já possui mecanismos de rastreabilidade da madeira e destacou que o setor produtivo precisa cumprir a legislação para comercializar no Estado.
FETHAB E INFRAESTRUTURA
Na discussão sobre infraestrutura e tributação, Maurício Coelho afirmou ser contrário ao modelo atual do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab). Segundo ele, é preciso reduzir o peso das cobranças sobre o produtor.
Já sobre a Ferrogrão, Rafael Millas afirmou que falta articulação política para destravar o projeto e defendeu uma atuação conjunta entre Mato Grosso e Pará para viabilizar a obra. Segundo ele, a ferrovia poderia transformar Mato Grosso na “locomotiva do Brasil”.
Wellington Fagundes destacou sua atuação no Congresso Nacional para viabilizar obras de infraestrutura e mencionou medidas relacionadas à abertura de áreas para obras em reservas.
Na discussão sobre armazenagem e rodovias, Pivetta afirmou que o Estado trabalha em uma força-tarefa para elaborar um plano diretor rodoviário. Segundo ele, a malha conta com cerca de 4 mil quilômetros de rodovias e outros 5 mil quilômetros estão previstos para concessões.
O governador também citou o modelo de concessões com associações locais, que classificou como “pedágios caipiras”.
FETHAB 2
Pivetta voltou a defender a manutenção do veto ao projeto que criaria o Fethab 2. Segundo ele, caso seja reeleito, pretende investir em habitação e infraestrutura rodoviária utilizando a capacidade financeira do próprio governo, sem criar novas cobranças aos produtores.
Maurício Coelho, por outro lado, defendeu uma mudança na legislação para dificultar a criação de novas taxas. A proposta apresentada por ele prevê que medidas desse tipo precisem de aprovação de dois terços dos deputados estaduais.
Ao encerrar sua participação nesse bloco, Pivetta fez uma crítica indireta aos parlamentares de Brasília e responsabilizou deputados federais e senadores pela burocracia que, segundo ele, dificulta o avanço de projetos para Mato Grosso.
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