O deputado federal Nelson Barbudo (Podemos-MT) responsabilizou o governo federal e cobrou diretamente o ex-ministro da Agricultura Carlos Fávaro pelas restrições impostas pela União Europeia à entrada de produtos brasileiros de origem animal. Para o parlamentar, faltou ao governo brasileiro capacidade para cumprir, no prazo, as exigências estabelecidas pelo bloco europeu.
As críticas foram feitas durante participação no ‘Bradock Show’, programa que integra a rede Pânico/Jovem Pan e reuniu outros nomes do campo conservador. Barbudo participou do programa da estrada, retornando do Vale do Araguaia, onde percorreu, de carro, 18 municípios em uma semana. A transmissão, distribuídas por diferentes canais, reuniu mais de 15 mil espectadores no pico de audiência.
Ao ser questionado sobre o fato de as exigências europeias serem conhecidas anteriormente pelo governo brasileiro, Barbudo direcionou a cobrança a Fávaro: “É o senador aqui do meu estado que tá fazendo campanha se vangloriando do que ele fez para o agro. Olha, eles não cumpriram”.
O deputado comparou o episódio a outras medidas do governo que, na avaliação dele, têm prejudicado quem produz: “Depois quando eu falo que a faca está na mão e a cada cada apagada da da luz à tarde quando o sol entra o governo dá uma facada nas costas do produtor dessa vez foi no pecuarista.”
As novas regras europeias entraram em vigor em 3 de setembro e exigem dos países exportadores garantias de cumprimento das normas da União Europeia sobre o uso de antimicrobianos. A Comissão Europeia afirma que o Brasil não está atualmente na lista de países autorizados porque ainda não dispõe das garantias de conformidade exigidas.
O próprio governo brasileiro reconheceu oficialmente a entrada em vigor das restrições, embora sustente que adotou as medidas necessárias e que, desde a decisão europeia de 12 de maio, manteve “intenso engajamento político e técnico” para tentar solucionar o impasse.
“Veja bem, eles não cumpriram com as exigências e com as normativas. É coisa do governo é coisa do Itamaraty é coisa do mapa do Ministério da Agricultura e infelizmente o ministro Carlos Fáboro é daqui do estado que produza a maioridade pra exportação” – acrescentou, ao destacar, por outro lado, a qualidade da produção pecuária de Mato Grosso.
DEPENDÊNCIA DA CHINA
Em outro momento do programa, Barbudo alertou para o risco de o agronegócio brasileiro ficar excessivamente dependente das compras chinesas. Para ele, a conjuntura atual pode favorecer as exportações, mas o produtor precisa de segurança para enfrentar eventuais mudanças na relação comercial entre China e Estados Unidos.
“A China está comprando, mas e o ano que vem ela vai comprar? Nós não sabemos” – disse, ao abrir críticas a politica pública do Governo de falta de incentivo a produção no campo. Barbudo contestou a associação automática entre recordes de produção e prosperidade financeira no campo. “Nós falamos em recorde e recorde de produção. A sociedade precisa saber que isso não é recorde de lucro”
Segundo o deputado, juros, tributação, seguro rural e dificuldades financeiras têm pressionado os produtores mesmo diante do desempenho produtivo do setor: “Nós fazemos o trabalho da porteira pra dentro Agora, na geopolítica, esse governo está abandonando o produtor”.
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