O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), questionou nesta sexta-feira (4) as críticas ao pastor que reuniu fiéis do lado de fora de uma igreja na região da Prainha, em Cuiabá, para pedir votos para candidatos nas eleições deste ano. Ao comentar o episódio, Abilio comparou a situação com possíveis pedidos de votos dentro de universidades e citou diretamente a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
“Pode pedir voto dentro da sala de aula? Não. O ideal é que não fizesse, né? Mas vai perguntar se na UFMT não está fazendo. Pode pedir voto dentro da universidade? O ideal é que não fizesse. Mas vai perguntar se não estão fazendo”, afirmou o prefeito durante coletiva.
O episódio envolvendo o pastor foi revelado pelo HNT nesta quinta-feira (3). Em vídeo, o religioso aparece reunindo fiéis do lado de fora da Igreja Universal do Reino de Deus, na região central de Cuiabá, e pedindo apoio aos candidatos Eduardo Magalhães e pastor Alex Sandro, ambos do Republicanos.
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Antes de fazer o pedido, o pastor afirmou que não poderia realizar a manifestação dentro do templo e, por isso, conduziu os fiéis para a área externa. Na sequência, apresentou os candidatos e pediu que os presentes conversassem com familiares, colegas de trabalho e funcionários sobre os nomes.
“UM ERRO NÃO JUSTIFICA O OUTRO”
Ao ser questionado sobre a conduta do religioso, Abilio afirmou que não considera que uma eventual irregularidade em outro ambiente justifique uma segunda irregularidade, mas defendeu que situações semelhantes sejam avaliadas sob os mesmos critérios.
“Um erro não justifica o outro. Não estou dizendo que um erro justificou o outro. O ideal é que não fizesse”, declarou.
O prefeito também afirmou que não vê, necessariamente, ilegalidade no fato de o pastor ter levado os fiéis para fora da igreja. Segundo Abilio, ninguém seria obrigado a permanecer dentro do templo e a reunião poderia ocorrer em outro espaço.
“Quando ele sai para o lado de fora do templo, quem é obrigado a ficar ali dentro? Ninguém”, disse.
Abilio questionou ainda se a situação seria diferente caso o encontro tivesse ocorrido em uma chácara ou em outra rua.
“Se ele estivesse reunido numa chácara, poderia? Se ele estivesse reunido numa outra rua, poderia? Eu não vejo nada de ilegal”, afirmou.
LIBERDADE RELIGIOSA
As declarações, no entanto, representam a avaliação política do prefeito sobre o cenário e não alteram, por si só, a análise da Justiça Eleitoral sobre o episódio envolvendo o pastor. O caso ocorreu após o religioso reconhecer no próprio vídeo que não poderia fazer o pedido de votos dentro do templo. A gravação mostra ainda a distribuição de material dos candidatos aos participantes.
A legislação eleitoral trata templos religiosos como bens de uso comum e estabelece restrições à propaganda eleitoral nesses espaços. A eventual caracterização de irregularidade na situação específica depende da análise das circunstâncias pela Justiça Eleitoral.
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