O prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) declarou que a deflagração da Operação Heritage, realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6), teve seu processo de investigação “contaminado” devido a uma suposta antecipação dos fatos por adversários políticos. Segundo Brunini, o senador Jayme Campos (UB) e o candidato ao Senado Pedro Taques (PSD) teriam anunciado previamente que o ex-governador e atual candidato ao Senado, Mauro Mendes (UB), seria alvo de ações policiais.
“Uma das coisas que eu acho que prejudicou, foram as falas antecipadas de que haveria essa operação. Eu ouvi falar que o Pedro Taques ou o Jayme fez uma fala, possivelmente até da data de quando isso iria ocorrer. Até dia cinco não passa, coisa e tal (...) Ainda mais um dia depois das convenções partidárias, eu acho que isso acaba contaminando o processo da investigação”, afirmou Abilio, em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (7).
Para o prefeito, a circulação de informações sobre operações sigilosas levanta dúvidas sobre a origem desses dados, podendo configurar desde vazamentos propositais até estratégias para alertar os investigados.
“Não sei se é um conluio ou vazamento de informação. Mas eu acho que, assim, qualquer uma dessas circunstâncias é ruim, tanto vazamento de informação que pode prejudicar a investigação, antecipando a investigação, quanto a informação de que ele seria investigado até se preparar, para, de modo esquivo, conseguir evitar que algo possa acontecer”, disparou.
Brunini também mencionou as diretrizes que regem a atuação policial durante o período eleitoral sobre a conveniência de operações próximas ao pleito, ressaltando que as ações deveriam focar em infrações em flagrante.
“Existe um entendimento, acho que do CNJ, que as operações da Polícia Federal, ou outras polícias, elas devem ocorrer durante o período eleitoral somente se o caso estiver ocorrendo naquele momento, se a infração estiver ocorrendo naquela situação”.
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Apesar das críticas ao cronograma e à possível partidarização da ação, o gestor cuiabano afirmou que é favorável à apuração rigorosa dos fatos, destacando que a investigação é um procedimento normal e necessário para o esclarecimento da verdade.
“Agora, a investigação em si, tem que investigar, investigar mesmo para saber o que houve de fato aconteceu alguma coisa demais. Eu acho que ninguém está livre de investigação, eu mesmo sou investigador em várias outras áreas, e é normal, essas coisas acontecem”.
ENTENDA
A Operação Heritage foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e investiga um suposto esquema de desvio de R$ 308 milhões dos cofres públicos de Mato Grosso. O foco central é um acordo tributário firmado entre o Estado e a empresa de telefonia Oi S.A., cujos valores teriam sido pulverizados em uma complexa estrutura de "fundos em cascata" para ocultar sua origem e destino final.
O ex-governador Mauro Mendes reagiu à operação a classificando como uma "armação eleitoreira" motivada por narrativas falsas de seus opositores. Mendes defende a legalidade do acordo com a Oi, afirmando que a transação foi validada por órgãos de controle como o Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público.
Ele nega qualquer ligação de sua família com os fundos citados e declarou que irá colaborar com a justiça para que a verdade seja restabelecida rapidamente.
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