O prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) refutou as acusações da vereadora Katiuscia Mantelli (Podemos) de que ele teria oferecido o cargo de secretário municipal ao vereador Ilde Taques (Podemos) para pacificar a disputa pela Mesa Diretora na Câmara Municipal. Segundo Brunini a iniciativa de buscar uma indicação no primeiro escalão partiu do próprio grupo parlamentar durante uma reunião na sede do Executivo logo após a filiação de parlamentares ao partido Podemos.
"Assim que migraram para o Podemos, eles me procuraram na Prefeitura e perguntaram se o partido poderia ter parceria com uma secretaria. Eu expliquei que não, não é assim que as coisas funcionam, não é desse jeito que eu trabalho", afirmou.
O prefeito justificou que, em outro momento, houve um convite pessoal a Ilde Taques, mas motivado por uma suposta desistência do parlamentar em continuar no Legislativo.
“O Ilde estava numa época falando que ele ia largar a mão da candidatura dele, que ele ia apoiar a Paula e que ele não queria ficar na Câmara. Aí eu: ‘ah, se você quiser vir para a nossa gestão, tá o convite para você vir somar com a gente’. Mas não era dar uma secretaria para o Podemos, era reconhecer o trabalho dele e colocar ele para trabalhar junto conosco”, explicou.
Brunini concluiu afirmando que a proposta não avançou por opção do vereador: “Então essa foi uma decisão, mas ele não optou, eu também não, e aí vida que segue”.
KATIUSCIA CONTRADIZ
A vereadora Katiuscia Mantelli mantém uma versão divergente sobre o teor da reunião mencionada pelo prefeito. Segundo ela, o grupo do Podemos buscava apenas dialogar sobre espaços de atuação, mas a proposta de uma secretaria teria partido especificamente de Abilio, com o intuito de retirar Ilde Taques da disputa pela presidência da Câmara Municipal. Katiuscia confirmou a realização do encontro, mas negou que o partido tenha solicitado pastas específicas.
“Nós fomos sim [à reunião], falamos em maior espaço, não falamos de secretaria e não falamos de nome, mas como a gente já havia marcado, eu acredito que ele já estava preparado e propôs que ele poderia dar uma secretaria, ele sugeriu que fosse uma secretaria, Obras ou Limpurb, desde que fosse o vereador Ilde que assumisse”, declarou a parlamentar.
Para a vereadora, a oferta tinha um objetivo político claro relacionado à composição da futura Mesa Diretora da Casa, o que teria gerado a recusa imediata por parte da legenda.
A tensão entre Katiuscia e Abilio tem se intensificado publicamente. Na mesma manhã, a vereadora afirmou na tribuna que o Legislativo fez "história" ao rejeitar a LDO e rebateu críticas de Abilio sobre a suposta "incompetência" dos vereadores, orientando o prefeito a "engolir o choro e trabalhar". O revés na LDO, com apenas 12 votos favoráveis, impediu formalmente o início do recesso parlamentar, mantendo as sessões ordinárias na capital.
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