O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou nesta terça-feira (29) que a “incoerência tem predominado” na Câmara Municipal após o vereador Ilde Taques (Podemos) consolidar 15 apoios para a eleição da Mesa Diretora. O pleito está marcado para a próxima terça-feira (6). O grupo de Ilde reúne maioria entre os 27 vereadores, enquanto a atual presidente da Casa, Paula Calil (PL), ainda busca viabilizar a própria recondução ao cargo.
Questionado sobre críticas da vereadora Michelly Alencar (União Brasil), que afirmou em plenário que estaria havendo uma tentativa de “forçar” uma situação para permitir a permanência de Paula na Presidência, Abilio defendeu sua atuação na composição da atual Mesa Diretora e criticou parlamentares que adotaram posicionamentos diferentes do discurso que mantinham sobre o fortalecimento da participação feminina na política.
“Nós estamos vivendo em tempos confusos, né? Se fala tanto em empoderamento feminino, aí na hora de manifestar apoio político manifesta ao homem, a incoerência tem predominado”, disse durante coletiva de imprensa.
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Brunini citou situações em que, segundo ele, parlamentares que defendiam o fortalecimento das mulheres passaram a apoiar candidaturas masculinas ou a mudança na composição da Mesa.
“Recentemente eu vi algumas das pessoas que mais discursaram durante esse período eleitoral sobre o fortalecimento das mulheres, depois [estavam] manifestando apoio a um deputado, trocando suplentes femininas por suplentes masculinos, outro lutando para que uma mulher não seja reeleita à presidência da Câmara, e buscando que um homem assuma o espaço de poder”, afirmou.
Abilio também respondeu às críticas relacionadas ao próprio apoio à permanência de Paula Calil, destacando que sua participação na formação da atual Mesa teve como objetivo construir uma composição integralmente feminina no comando da Câmara.
“Então, sim, o discurso vai caindo por terra muitas das vezes. ‘Ah, mas Abílio, você não faz o mesmo discurso?’ Não, mas não foi o mesmo discurso. Meu discurso foi o discurso de que a gente tinha que construir uma história. E a gente construiu. Se ela [Michelly Alencar] está achando ruim o meu apoio, não deveria estar na Mesa, então”, declarou.
“Tendo em vista que essa construção desta Mesa Diretora 100% feminina, eu ajudei bastante. Então, assim, eu quis fazer parte dessa história, quis colaborar para que essa história fosse construída na Câmara Municipal, e não existe uma outra Câmara no Brasil com uma Mesa 100% feminina hoje e fico muito feliz de ter colaborado”, acrescentou.
O prefeito, no entanto, reconheceu que a composição da atual Mesa termina em meio a divergências entre as vereadoras que a integram.
“Acho que, independente do final que essa construção está tendo, do que essa história está tendo, eu acredito que só o futuro vai poder traçar a opinião mais verdadeira sobre o que a gente conseguiu aqui no município de Cuiabá. Durante um período de dois anos, nós tivemos uma Câmara presidida 100% por mulheres. Infelizmente, conclui-se o mandato dessas mulheres sem harmonia entre elas”, afirmou.
DISPUTA PELA MESA
A eleição da nova Mesa Diretora, que está marcada para 6 de outubro, sofreu diversos desdobramentos nos últimos meses. Ilde Taques passou a reunir 15 apoios após a adesão da vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade), número que representa maioria entre os 27 parlamentares da Câmara.
Do outro lado, Paula Calil tenta permanecer na Presidência. Para isso, porém, é necessário alterar o Regimento Interno, que atualmente impede a recondução ao mesmo cargo da Mesa Diretora dentro da mesma legislatura.
O Projeto de Resolução nº 31.173/2026 propõe justamente a mudança dessa regra, permitindo a recondução de integrantes da Mesa aos mesmos cargos na atual legislatura. Na prática, a alteração abriria a possibilidade de Paula disputar novamente a Presidência.
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A proposta passou a ser alvo de disputa judicial em razão do quórum necessário para modificar o Regimento. Uma decisão concedida em mandado de segurança apresentado pelo vereador Wilson Kero Kero (PMB) abriu caminho para que o texto seja analisado por maioria simples, em vez dos dois terços dos 27 vereadores que vinham sendo exigidos.
Com a mudança, a proposta pode avançar caso obtenha os votos necessários. Até esta terça-feira (29), porém, o projeto não havia sido incluído na pauta da Câmara, mantendo em aberto a possibilidade de candidatura de Paula para a eleição da Mesa.
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