O prefeito de Cuiabá Abilio Brunini (PL) justificou o atraso na implementação do programa "Cuiabá Mais Leve", voltado ao tratamento da obesidade, alegando a ausência de um protocolo oficial no Sistema Único de Saúde (SUS) para a distribuição do medicamento Mounjaro. A iniciativa, que visa atender pacientes com grau três de obesidade, enfrenta barreiras burocráticas, uma vez que a medicação, embora aprovada pela Anvisa, ainda não integra o rol taxativo do Ministério da Saúde para fornecimento gratuito na rede pública.
Ao detalhar os entraves, o gestor ressaltou a complexidade de transpor um tratamento da rede privada para a estrutura do setor público.
“Só dor e sofrimento para mim. Para implementar o programa Mais Leve, eu preciso de um protocolo do SUS. Porque o que acontece? É diferente da iniciativa privada. Na iniciativa privada, você vai lá, marca a consulta, o médico já te passa o medicamento e, às vezes, você já sabe que o medicamento está aplicado ali mesmo. No SUS não é assim, tem que ter uma rede de apoio, tem que ter um protocolo de atendimento, tem que ter todas as medidas”, explicou o prefeito, em coletiva na última quinta-feira (16).
Abilio comparou a situação do município com as esferas estadual e federal, mencionando que outros gestores também não conseguiram viabilizar a oferta do fármaco pelo SUS. O gestor chegou a citar o Presidente da República, Luíz Inácio Lula (PT), ao defender a implementação do medicamento no sistema de saúde pública.
“Tem que estabelecer toda uma rede de protocolo. ‘Ah, mas Abílio, por que você não conseguiu?’ O Estado também não conseguiu. Você lembra que o Gilberto falou que ele queria colocar o Monjauro no SUS do Estado também? E não conseguiu. O governo federal também não conseguiu. O próprio Lula falou em outras entrevistas que queria que tivesse esse medicamento de perda de peso no SUS. E ainda não conseguiu”, pontuou.
O prefeito reforçou que a responsabilidade pela demora não é exclusiva da gestão municipal, mas fruto de uma lacuna normativa nacional que impede a distribuição imediata.
“Então não é o prefeito Abilio que não conseguiu, o Estado não conseguiu, o Governo federal não conseguiu, porque ainda não está estabelecida a rede, o protocolo e a rede. E para mim ter isso, fornecendo esse serviço, eu não posso pegar um medicamento que não está no rol taxativo do Ministério da Saúde e só começar a distribuir. Eu não consigo fazer isso”, afirmou.
Brunini garantiu, entretanto, que os recursos para a execução do projeto estão preservados e que a administração trabalha na organização interna para validar o serviço.
“Eu estou tentando organizar a nossa rede e o nosso protocolo de apoio para validar ele nas demais instâncias para que a gente possa distribuir esse produto. A emenda da vereadora não perdeu, ela está com a gente, a gente vai deixar ela no recurso do orçamento. O único problema é esse”, concluiu o gestor.
ENTENDA A PROPOSTA
O programa "Cuiabá Mais Leve" foi anunciado originalmente em junho de 2025, com um investimento inicial de R$ 1,2 milhão por parte da prefeitura,montante que chegou a R$ 2,4 milhões após a vereadora Michelly Alencar (UB) dobrar o valor por meio de emenda parlamentar.
O projeto prevê não apenas a entrega das "canetas emagrecedoras", mas a criação de um centro de emagrecimento na antiga sede da Unic Barão, onde mil pacientes receberão suporte multiprofissional, incluindo exames, nutricionistas e profissionais de educação física.
A proposta é motivada pela trajetória pessoal de Abilio, que perdeu 25 quilos com o uso da medicação após passar por uma cirurgia cardíaca de emergência. Apesar das justificativas do prefeito, Michelly Alencar tem cobrado agilidade, defendendo que Cuiabá poderia ser pioneira e protagonista no combate à obesidade no país.
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