A Polícia Civil concluiu que não há qualquer indício de que Elismar Saltiva Sales, de 47 anos, integrasse o Primeiro Comando da Capital (PCC), apesar de ela ter sido executada porque integrantes do Comando Vermelho (CV) acreditavam que a vítima exercia a função de "gerente" da facção rival em Sorriso (a 420 km de Cuiabá).
A informação foi divulgada pelo delegado Paulo César Brambilla, responsável pelas investigações. Segundo ele, a motivação foi apresentada por um adolescente apreendido por participação no homicídio, que confessou o crime e relatou que a execução ocorreu em meio à disputa territorial entre o Comando Vermelho e o PCC.
"O adolescente confessou a participação no crime e disse que foi uma disputa territorial entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital. Segundo ele, aquela mulher, pelo estilo de vida que levava, seria uma gerente do PCC. Nós, porém, não temos qualquer informação que confirme isso. Ela era uma pessoa humilde, usuária de drogas, mas, na cabeça deles, ocupava essa função. Esse foi o motivo alegado para o assassinato", afirmou o delegado.
Elismar foi assassinada a tiros dentro da própria residência, no bairro Boa Esperança II, na tarde de 15 de julho. Na ocasião, dois homens chegaram em uma motocicleta, invadiram o imóvel, efetuaram diversos disparos e fugiram. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas a vítima já estava sem vida quando o socorro chegou.
As novas informações reforçam a linha investigativa apresentada anteriormente pela Polícia Civil, que já havia descartado qualquer vínculo da vítima com organizações criminosas. Conforme Brambilla, integrantes do Comando Vermelho mantinham uma espécie de "serviço de inteligência" próprio para identificar supostos integrantes do PCC, chegando a classificar pessoas como rivais sem qualquer comprovação.
Segundo o delegado, esse mesmo padrão teria motivado também o assassinato do tatuador Leandro Perboni, morto no fim de junho em Sorriso. A investigação concluiu que ele também foi executado após ser apontado, sem provas, como integrante da facção paulista.
INVESTIGAÇÃO SEGUE
Até o momento, um adolescente foi apreendido após confessar participação no assassinato de Elismar. Já Ivanilson Andrade dos Santos, de 31 anos, apontado como um dos executores, morreu em confronto com policiais da Força Tática durante as diligências.
Além disso, duas mulheres foram presas suspeitas de envolvimento no homicídio, após serem flagradas com a motocicleta utilizada na execução.
Agora, a Polícia Civil concentra esforços para identificar quem ordenou o crime.
"Estamos trabalhando para identificar os mandantes, que certamente estão presos", afirmou Brambilla.
As investigações continuam para esclarecer a participação de todos os envolvidos e confirmar quem determinou a execução da vítima.
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