Um grupo investigado por receptação de peças de veículos roubados e furtados, adulteração de sinais identificadores e lavagem de dinheiro movimentou mais de R$ 33 milhões em créditos entre 2019 e 2023, segundo a Polícia Civil. A descoberta levou à segunda fase da Operação Carcaça, deflagrada nesta quarta-feira (19), em Cuiabá.
Ao todo, são cumpridas 56 ordens judiciais contra dez pessoas e quatro empresas, incluindo buscas, sequestro de veículos e medidas para bloquear bens e valores relacionados aos investigados. A operação é conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automotores de Cuiabá (Derrfva).
Durante o aprofundamento das investigações, a Polícia Civil identificou uma movimentação considerada suspeita de mais de R$ 33 milhões em créditos, distribuídos por mais de 70 contas bancárias mantidas em mais de 24 instituições financeiras.
Segundo a investigação, o volume financeiro identificado é muito superior ao inicialmente constatado na primeira fase da operação, realizada em 2023. A análise patrimonial passou a integrar a apuração para identificar a origem dos recursos e possíveis mecanismos utilizados para ocultar ou dissimular o patrimônio obtido com as atividades investigadas.
Nesta segunda fase, a Justiça autorizou 14 ordens de bloqueio de ativos financeiros, 14 restrições judiciais de transferência de veículos e 14 decretos de indisponibilidade de imóveis. Também são cumpridos oito mandados de busca e apreensão e seis mandados de sequestro judicial de oito veículos vinculados aos investigados.
A decisão estabelece bloqueios de até R$ 25,5 milhões, sendo aproximadamente R$ 7,8 milhões relacionados às pessoas físicas e R$ 17,5 milhões às empresas.
As ordens de bloqueio financeiro têm reiteração automática por até 30 dias. A indisponibilidade de bens alcança imóveis registrados em nome dos investigados. Durante as diligências, cinco veículos foram apreendidos.
A investigação começou após a Polícia Civil localizar peças e componentes automotivos com indícios de origem criminosa em um estabelecimento de autopeças de Cuiabá. A partir das primeiras apreensões, perícias e análises dos materiais permitiram identificar indícios de uma estrutura voltada à receptação de peças provenientes de veículos furtados e roubados em diferentes estados.
As apurações também apontaram possível adulteração de sinais identificadores de componentes e veículos, além de mecanismos destinados à ocultação e dissimulação de patrimônio.
De acordo com a Polícia Civil, a segunda fase da operação tem como foco atingir não apenas a estrutura operacional do grupo, mas também o patrimônio relacionado às atividades investigadas.As medidas de bloqueio e indisponibilidade foram adotadas para impedir a dissipação dos bens e recursos enquanto a investigação avança.
O objetivo é identificar a participação de outros integrantes e ampliar as medidas de constrição patrimonial. A investigação permanece sob sigilo e segue em andamento.
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