O servidor Francisley Campos Carolino, da Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI), foi preso e permaneceu detido após passar por audiência de custódia nesta terça-feira (20), em Cuiabá. Ele é investigado por suspeita de assédio e importunação sexual contra uma colega de trabalho. A prisão ocorreu no contexto de uma apuração sobre possível descumprimento de medidas protetivas e interferência na produção de provas.
A denúncia original foi registrada em 1º de outubro de 2025, por meio da Ouvidoria da MTI. O caso passou a ser investigado pelas autoridades, e medidas protetivas foram concedidas à denunciante em 15 de julho deste ano.
Um dos episódios analisados ocorreu em 12 de agosto, quando Francisley e outra mulher foram ao local de trabalho da denunciante para entregar um documento. Conforme o relato registrado na ocorrência policial, a funcionária teria sido pressionada a assinar a declaração. A suspeita é de que o episódio pudesse interferir na produção de provas durante a investigação.
A gerente da empresa interveio na situação, e imagens das câmeras de segurança foram preservadas. No boletim de ocorrência, a denunciante relatou suspeitas de tentativa de obstrução da Justiça, coação no curso do processo e manipulação de provas. Essas circunstâncias passaram a integrar a apuração policial.
A versão apresentada pela defesa ainda depende de análise judicial. A apuração deverá esclarecer as circunstâncias da entrega do documento e se houve descumprimento das medidas impostas pela Justiça.
A denúncia contra Francisley foi formalizada cerca de um ano antes da prisão. No decorrer do caso, a colega que fez a denúncia, então ocupante de cargo comissionado na MTI, foi desligada da empresa em 3 de março de 2026, após procedimentos internos.
DEFESA QUESTIONA DENÚNCIA DE ASSÉDIO
A defesa contesta a narrativa apresentada pela denunciante e sustenta que a possível testemunha poderia contribuir para esclarecer o que ocorreu. No entanto, nos documentos analisados, não foi localizada uma declaração da própria denunciante retirando a acusação de assédio sexual.
Também não foi possível confirmar, a partir da petição defensiva consultada, que a testemunha tenha afirmado que o assédio não aconteceu. A ausência de confirmação por uma testemunha, caso tenha ocorrido, não significa que a denúncia foi retirada.
VÍNCULO COM A SEFAZ
Publicação no Diário Oficial de Mato Grosso de 9 de março de 2026 registra a contratação de Francisley como consultor individual para apoiar o gerenciamento e o monitoramento de projetos financiados pelo Programa de Modernização da Gestão Fiscal do Estado, o Profisco II.
O contrato, firmado no âmbito da Sefaz, tem valor indicado de R$ 395.112,96. O documento administrativo comprova o vínculo contratual e o objeto do serviço, mas não estabelece relação com as acusações investigadas.
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