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Polícia Terça-feira, 20 de Outubro de 2026, 17:43 - A | A

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Terça-feira, 20 de Outubro de 2026, 17h:43 - A | A

UM ANO FORAGIDA

Angeliquinha volta a Cuiabá e vai para regime mais rígido após captura na Bolívia

Presa após mais de um ano foragida, apontada como liderança do CV no Nortão ficará inicialmente por 180 dias no Regime Disciplinar Diferenciado, conforme decisão judicial

DA REDAÇÃO

REPRODUÇÃO

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Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, voltou ao sistema penitenciário de Mato Grosso nesta terça-feira (20), após ser transferida de Corumbá (MS) para Cuiabá. Apontada pela Polícia Civil como uma das lideranças do Comando Vermelho (CV) no extremo norte do estado, ela deverá cumprir o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), por determinação da Justiça, inicialmente pelo prazo de 180 dias.

A transferência foi realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso, com participação de equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO/Draco) e da Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol), além do apoio do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).

Angeliquinha estava custodiada no Estabelecimento Penal Feminino Carlos Alberto Jonas Giordano, em Corumbá, desde que foi capturada na Bolívia e entregue às autoridades brasileiras. A entrada dela na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, foi autorizada pela Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).

REGIME MAIS RÍGIDO

A inclusão de Angeliquinha no RDD foi determinada pela 5ª Vara Criminal de Sinop (480 km de Cuiabá), no âmbito de uma representação apresentada pela Polícia Civil relacionada à Operação Showdown.

Conforme a decisão judicial, os elementos reunidos na investigação apontam suspeitas de que ela teria continuado a exercer funções de liderança na organização criminosa mesmo durante o período em que permaneceu foragida no exterior.

O regime terá prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação mediante nova decisão judicial fundamentada. A medida prevê condições especiais de custódia e restrições estabelecidas pela legislação.

LEIA MAIS: Vídeo mostra prisão de Angeliquinha na Bolívia sob forte escolta policial

CAPTURA NA BOLÍVIA

Angeliquinha foi capturada em 22 de setembro, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após mais de um ano foragida. Ela havia escapado da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, em 17 de agosto de 2025, junto com Jéssica Leal da Silva, conhecida como “Arlequina”.

Na ocasião da captura, segundo a Polícia Civil, Angélica apresentou um documento brasileiro com identidade diferente. Ela foi reconhecida após um trabalho de identificação facial e o compartilhamento prévio de informações com as autoridades bolivianas.

Após a captura, foi entregue à Polícia Federal e encaminhada para a unidade prisional feminina de Corumbá, onde permaneceu até o recambiamento para Mato Grosso.

Segundo a Polícia Civil, Angeliquinha possui condenações que ultrapassam 260 anos de prisão e mandados expedidos em diferentes ações penais e investigações. Entre as penas está uma condenação de 99 anos e 11 meses pelos assassinatos de quatro trabalhadores em 2022, além de crimes relacionados à ocultação de cadáveres e à organização criminosa.

OPERAÇÃO SHOWDOWN

Deflagrada em março de 2026, a Operação Showdown investiga um núcleo familiar suspeito de dar suporte a atividades criminosas atribuídas à facção e de lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas. Na operação, foram cumpridas 31 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão e de busca e apreensão, sequestros de veículos e imóveis, bloqueios de contas bancárias e suspensões de pessoas jurídicas.

De acordo com a Polícia Civil, as movimentações financeiras investigadas ultrapassaram R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses. Os valores foram considerados incompatíveis com a renda declarada pelos investigados, e a apuração aponta que empresas e outros negócios teriam sido utilizados para dar aparência legal a recursos de origem criminosa.

Com o retorno a Mato Grosso, Angeliquinha permanece à disposição da Justiça e deverá cumprir as condições de custódia determinadas judicialmente.

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