A Polícia Civil de Mato Grosso investiga se Angélica Saraiva de Sá, conhecida como Angeliquinha, atuou em negociações de drogas e movimentações financeiras ligadas ao Comando Vermelho enquanto estava foragida na Bolívia. A hipótese foi mencionada pelo delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, que afirmou que a permanência dela em Santa Cruz de la Sierra pode ter relação com interesses da organização criminosa.
Segundo o delegado, a cidade boliviana tem importância estratégica para o tráfico de drogas e para a atuação de facções. Para ele, a presença de Angeliquinha no local desde a fuga, em agosto de 2025, levanta a possibilidade de que ela desempenhasse alguma função para o grupo.
Victor Hugo ressaltou, porém, que a suspeita ainda precisa ser sustentada por novos elementos. A Polícia Civil pretende analisar materiais relacionados à investigação para verificar se há provas de que a condenada realizou negociações de drogas ou movimentou dinheiro em benefício próprio ou da facção.
“É uma possibilidade grande”, afirmou o delegado ao falar sobre a hipótese de atuação dela na Bolívia. Ele disse que a equipe buscará corroborar essa linha investigativa com os novos dados.
Durante a entrevista, Victor Hugo afirmou que Angeliquinha teria morado em uma casa de alto padrão em Santa Cruz de la Sierra e passado o fim de ano em uma mansão. Para o delegado, essas circunstâncias reforçam a necessidade de investigar como ela se mantinha durante o período em que permaneceu foragida.
As condições de moradia, por si só, não comprovam a participação em negociações de drogas nem a origem ilícita de recursos. A investigação deverá esclarecer a procedência do dinheiro e se havia ligação entre os bens, as despesas e as atividades atribuídas à facção.
O delegado também afirmou que a polícia vê a cidade boliviana como um ponto relevante em outras investigações relacionadas ao tráfico. Ele não apresentou, na entrevista, detalhes de transações específicas atribuídas a Angeliquinha.
CAPTURA E RETORNO
Angeliquinha foi capturada em Santa Cruz de la Sierra em 22 de setembro de 2026, durante uma ação conjunta da Polícia Civil de Mato Grosso e das autoridades bolivianas. Depois, foi entregue à Polícia Federal em Corumbá (MS) e transferida para Cuiabá em 20 de outubro.
Ela voltou à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, onde passou a cumprir Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), por determinação judicial.
A Polícia Civil também investiga a atuação de Angeliquinha na organização criminosa durante o período em que esteve foragida. As novas informações dependerão da análise dos materiais e do avanço dos procedimentos policiais.
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