ASSISTA AO HNT ENTREVISTA COM A PERITA DA POLITEC
A fonoaudióloga e perita criminal da Politec-MT, Andréia Cristina Munzlinger, explicou ao HNT Entrevista como identificar vídeos e áudios manipulados por inteligência artificial, as chamadas deepfakes, que vêm sendo utilizadas por criminosos para aplicar golpes. Entre os principais sinais de alerta estão a falta de sincronia entre a fala e os movimentos da boca, borrões durante os movimentos do rosto e um piscar dos olhos considerado pouco natural.
Segundo a perita, os exames relacionados à verificação de edição estão entre os mais solicitados pela Gerência de Perícias em Áudio e Vídeo da Politec. A análise de conteúdos que podem ter sido modificados de forma fraudulenta, inclusive com uso de inteligência artificial, tem aumentado nos últimos anos.
Suspeite, verifique se aquilo poderia realmente proceder de um parente
"Dentre os exames que nós realizamos na Gerência de Perícias em Áudio e Vídeo da Politec, a verificação de edição é o segundo colocado. Isso tem aumentado a cada dia mais", explicou.
Andréia coordena o núcleo da Politec responsável pela investigação de casos envolvendo deepfakes. A especialista disse que a tecnologia pode ser utilizada para modificar vídeos, alterar contextos e até reproduzir a voz de uma pessoa, tornando os golpes mais difíceis de serem identificados.
"Às vezes, pode ser uma gravação de voz de uma pessoa colocada em outro contexto. Pode haver um corte, uma colagem. Então, suspeite, escute primeiro e verifique se aquilo poderia realmente proceder de um parente seu", orientou.
Daniel Souza/TV HNT
A fonoaudióloga e perita criminal da Politec-MT, Andréia Cristina Munzlinger, no podcast HNT Entrevista.
A perita explica que a inteligência artificial ainda pode deixar marcas perceptíveis nos conteúdos manipulados. Um dos sinais é o desalinhamento entre a imagem original e o rosto inserido artificialmente.
Outro detalhe que pode chamar atenção é o movimento dos olhos. Conforme Andréia, em conteúdos manipulados, os olhos podem parecer excessivamente fixos e o piscar pode não acompanhar a naturalidade de uma conversa.
"Os olhos geralmente ficam muito fixos e o piscar não fica natural", explicou.
A especialista, no entanto, destaca que não basta analisar apenas a aparência do vídeo. É necessário observar também o contexto e a origem do conteúdo.
Os olhos geralmente ficam muito fixos e o piscar não fica natural
Ela recomenda atenção especial a conteúdos que chegam por grupos de mensagens ou redes sociais sem indicação clara de origem. Antes de compartilhar, a orientação é tentar descobrir quem produziu o material e se a informação pode ser confirmada.
GOLPES COM PEDIDO DE DINHEIRO
De acordo com a perita, um dos principais objetivos dos criminosos ao utilizar deepfakes é se passar por pessoas conhecidas da vítima para conseguir dinheiro. Por isso, diante de um vídeo ou áudio inesperado, principalmente quando há pedido de dinheiro, urgência ou solicitação de informações pessoais, a recomendação é desconfiar e confirmar a identidade por outro meio antes de tomar qualquer atitude.
A perita também alerta que a manipulação não depende necessariamente da criação de uma voz ou imagem totalmente artificial. Uma gravação real pode ser recortada e inserida em outro contexto para produzir uma mensagem falsa.
"Então, suspeite, escute primeiro e verifique se aquilo poderia realmente proceder de um parente seu: aquele jeito de falar, aquela forma de passar a mensagem", concluiu.
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