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Polícia Terça-feira, 02 de Junho de 2026, 18:26 - A | A

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Terça-feira, 02 de Junho de 2026, 18h:26 - A | A

"MAUS TRATOS"

Funcionário suspeito de matar paciente não tinha formação e era responsável por mais de 50 internos

Odiley Rodrigues de Souza, funcionário assassinou o paciente Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, no último domingo (31) no centro “Pró-Vida”

ANNA GIULLIA MAGRO
DA REDAÇÃO

O delegado Michael Paes revelou que Odiley Rodrigues de Souza, funcionário do Centro Pró-Vida e suspeito do assassinato do paciente Alessandro Sidinei Braga, era um ex-paciente da clínica e responsável por pelo menos 50 internos. A informação foi revelada em entrevista coletiva concedida à imprensa nesta terça-feira (02).

"A pessoa que foi presa, que era o plantonista, ministrava os remédios para quem estava internado. Ele não é da área da saúde, pelo que foi informado. Ele é um ex-interno que foi reabilitado no local. Ele era responsável por mais de 50 pessoas em situação de vulnerabilidade. Percebemos muitas irregularidades e excessos durante a nossa investigação. Muitos internos que conseguiram se expressar relataram maus-tratos, que são agredidos", declarou o delegado.

LEIA MAIS: Delegado vê tratamento "animalesco" em clínica onde interno foi assassinado

Também foi revelado que os internos eram trancados durante a noite em um ambiente coletivo superlotado, apelidado de "quartão", onde dividiam espaço entre 14 e 17 pessoas com diagnósticos graves, a maioria sofrendo de esquizofrenia. A polícia também descobriu a existência de um cômodo específico utilizado ilegalmente como cela de punição para os pacientes que "davam problemas", local onde Alessandro foi morto.

RELEMBRE O CASO

Odiley Rodrigues de Souza, foi preso suspeito de envolvimento na morte do paciente Alessandro Sidinei Braga, de 38 anos, que fazia tratamento para esquizofrenia no Centro Pró-Vida na segunda-feira (1º). Em depoimento à Polícia Civil, o suspeito confessou ter alterado a cena do crime e simulado um suicídio por enforcamento, alegando ter agido por medo de ser responsabilizado, mas negou ter cometido o homicídio. 

LEIA MAIS: Funcionário confessa que forjou suicídio de paciente encontrado morto: "fiquei com medo"

Segundo a versão de Odiley, o paciente apresentou comportamento muito agitado e, por isso, ele e outro colaborador realizaram uma contenção física, amarrando as mãos da vítima para trás com uma corda e deixando-a trancada no quarto. Na manhã seguinte, domingo (31), Alessandro foi encontrado sem vida.

Apesar da negação do funcionário sobre a autoria do crime, a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) trabalha com a hipótese de que o paciente tenha morrido durante o procedimento de contenção, após receber um golpe conhecido como "mata-leão" com força excessiva. A investigação aponta que a corda foi colocada no pescoço da vítima após a morte para sustentar a falsa versão de suicídio. 

A farsa foi descoberta pela perícia técnica (Politec), que encontrou inconsistências entre os vestígios do local e o relato inicial. O caso segue em investigação, e a polícia aguarda o laudo da necropsia para determinar a causa exata da morte e definir as responsabilidades criminais.

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