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Polícia Quinta-feira, 01 de Janeiro de 2026, 08:24 - A | A

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RETROSPECTIVA 2025

Com 52 feminicídios no ano, Mato Grosso é o estado mais perigoso para as mulheres

Estado registra aumento de mais de 10% nos feminicídios em relação a 2024, com crimes que chocaram a sociedade e expõem falhas na proteção às mulheres

ANDRÉ ALVES
Da Redação

O ano de 2025 ficará marcado como um dos períodos mais sombrios para as mulheres em Mato Grosso. Segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP-MT) e levantamentos do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), o estado atingiu a marca de 52 feminicídios até o final de dezembro, superando os 46 casos registrados em 2024, consolidando um aumento superior a 10% em relação ao ano anterior.

O ano de 2025 ficará marcado como um dos períodos mais sombrios para as mulheres em Mato Grosso. Segundo dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP-MT) e levantamentos do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), o estado atingiu a marca de 52 feminicídios até o final de dezembro, superando os 46 casos registrados em 2024, consolidando um aumento superior a 10% em relação ao ano anterior.

A violência não se restringiu à capital. Embora Cuiabá lidere as estatísticas com a maior taxa de feminicídios entre todas as capitais brasileiras (16,9 por 100 mil mulheres), o interior do estado também sangra. Cidades como Sorriso, Sinop, Rondonópolis e Cáceres aparecem recorrentemente nos boletins de ocorrência.

No primeiro semestre de 2025, o estado já apresentava um crescimento de 31,5% nos casos em comparação ao mesmo período de 2024, já apontando a tendência que ia se confirmar ao longo dos meses.

CASOS QUE CHOCARAM O ESTADO
Entre os casos mais emblemáticos em Mato Grosso estão o da adolescente Heloysa Maria de Alencastro Souza, com apenas 16 anos. Ela foi morta em abril por asfixia mecânica no bairro Morada do Ouro em Cuiabá. Entre os indiciados estão o próprio padrasto Benedito Anunciação de Santana, seu filho Gustavo Benedito Junior Lara de Santana e um amigo. Os criminosos a torturam antes do crime e simularam um sequestro para tentar despistar as autoridades policiais.

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Já Vitória Camily Carvalho Silva teve o plano de fugir para os Estados Unidos devido às ameaças do seu ex-namorado, Helder Lopes de Araújo, se concretizarem. Ele, que não aceitava o fim do relacionamento, disparou contra ela cinco vezes, atingindo a cabeça e o tórax, em fevereiro, no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande. Ela deixou dois filhos, de 6 e 8 anos de idade. 

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Ainda no primeiro semestre de 2025, Gabrieli Daniel de Sousa foi assassinada pela próprio marido, o policial militar Ricker Maximiano de Moraes no final de maio em Cuiabá. Conforme a denúncia, Gabrieli foi surpreendida com tiros no rosto, tórax e joelho, morrendo na hora em decorrência de choque hemorrágico. Após o assassinato, Ricker fugiu levando as crianças, que foram deixadas na casa dos avós paternos. O policial se apresentou mais tarde às autoridades.

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Em junho, Gleici Oliboni foi assassinada pelo marido Daniel Frasson em sua residência em Lucas do Rio Verde (332 km de Cuiabá). Ela foi encontrada morta sobre a cama do casal, com várias perfurações de faca no peito e no pescoço. A filha do casal também foi esfaqueada e socorrida em estado grave. A cena do crime indicava sinais de luta: havia vestígios de sangue pelo corredor da casa e diversos cômodos estavam revirados. 

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Após uma discussão sobre o juízo final, Lucas França Rodrigues matou a companheira Ana Paula Abreu Carneiro de Oliveira com 20 facadas em Sinop (500 km de Cuiabá) em agosto. Depois do crime, ele enviou foto do corpo da vítima para a cunhada e seu irmão. Quando os policiais chegaram no local e encontraram Lucas em estado de surto e precisou ser contido por arma de choque.

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O último feminicídio registrado em Mato Grosso é o de Dione Martins Vincensi, de 71, morta pelo próprio filho, Marion Martins Vincensi, em sua residência em Sapezal (540 km de Cuiabá). Ela sofreu agressões com um pé de cabra. Marion é diagnosticado com esquizofrenia e faz uso de medicamentos controlados.

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CONTEXTO

De acordo com o levantamento do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), o perfil das vítimas no estado são mulheres jovens, negras ou pardas, que representam 78,6% das vítimas, mortas por parceiros ciumentos ou que não aceitavam o fim do relacionamento. Em quase metade dos feminicídios, os crimes foram feitos com arma branca, como uma faca, revelando a natureza passional e cruel das agressões.

Os casos deste ano mostram outra cruel realidade que é o fato de que a maior parte dos crimes foram cometidos dentro das casas das vítimas, tornando a própria casa como o lugar mais perigoso para a mulher mato-grossense. Mais de 80 crianças e adolescentes ficaram órfãos no estado apenas este ano. Em muitos casos, os filhos presenciaram o assassinato das mães.

Outro dado é que quase nenhum dos criminosos possuíam medidas protetivas, reforçando a necessidade de denunciar os agressores antes que eles cometam crimes mais graves. Além da capital e Várzea Grande, o eixo da BR-163, com os municípios de Sinop, Sorriso e Lucas do Rio Verde, continua sendo a região mais letal para mulheres.

AS VÍTIMAS

1. Vitoria Camily Carvalho Silva, de 22 anos.
2. Heloysa Maria de Alencastro Souza, de 16 anos.
3. Roseni da Silva Karnoski, de 52 anos.
4. Gleici Oliboni, de 42 anos.
5. Maquiane Brito Arruda, de 28 anos.
6. Vânia Cristina Benini, de 38 anos.
7. Jacyra Grampola Gonçalves da Silva, de 24 anos.
8. Fabiana Cruz Amorim, de 37 anos.
9. Gabriela da Fonseca Moura, de 36 anos.
10. Emilly Azevedo Sena, de 16 anos.
11. Gislaine Ferreira da Silva, de 33 anos.
12. Antonieta Barroso dos Santos, de 51 anos.
13. Jthesica Barbosa, de 24 anos.
14. Ana Paula Abreu Carneiro, de 33 anos.
15. Gabrieli Daniel Sousa de Moraes, de 31 anos.
16. Regiane Alves da Silva, de 29 anos.
17. Júlia Nascimento Barbieri, de 22 anos.
18. Vitória Rodrigues Farias, 23 anos.
19. Fátima da Silva Barbosa, de 42 anos.
20. Nerbys Osmary Cabrera Kreizi, de 33 anos.
21. Maria Silveira Pereira, de 63 anos.
22. Conceição Almeida Ferreira, de 50 anos.
23. Jucielly Ribeiro, de 30 anos.
24. Paulina Santana, de 52 anos.
25. Yasmin Farias Cardoso, de 27 anos.
26. Maria Selma Rocha dos Anjos, de 51 anos.
27. Quitéria dos Santos Costa, de 29 anos.
28. Vanusa dos Santos, de 43 anos.
29. Tainara Raiane da Silva, 21 anos.
30. Ivaldete Coutinho de Oliveira Polesello, de 58 anos.
31. Solange Aparecida Sobrinho, de 52 anos.
32. Sabrina Soares da Silva, de 26 anos.
33. Crisalda Conceição Sousa, de 32 anos.
34. Ednamara da Silva Pereira, de 28 anos.
35. Ana Maria dos Santos, de 63 anos.
36. Leovani da Silva de Souza, de 43 anos.
37. Elaine Rosa Araújo, de 25 anos.
38. Rute Cardoso Pereira, de 27 anos.
39. Ketlhyn Vitória de Souza, de 15 anos.
40. Andressa Rodrigues de Oliveira, de 25 anos.
41. Adriana Costa da Silva, de 33 anos.
42. Janaina Carla Portela Santin, de 43 anos.
43. Maria Aparecida Gonçalves da Silva, de 39 anos.
44. Dalila Rodrigues do Nascimento, de 75 anos.
45. Geovana Diogo da Silva, de 21 anos.
46. Luzia da Silva Oliveira, de 68 anos.
47. Maryelly Ferreira Campos, de 16 anos.
48. Andreia Ferreira de Souza, de 31 anos.
49. Ana Beatriz Cruz de Lima, de 23 anos.
50. Edilaine Machado Dias, de 35 anos.
51. Juceli Ribeiro Caju Boa Morte, de 30 anos.
52. Dione Martins Vincensi, de 71 anos.

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