O chanceler reforçou também que o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, permanecerá no Brasil depois que o País decidiu rebaixar as relações diplomáticas com o vizinho. Em entrevista ao programa Modo Fontevecchia, na TV da Argentina, ele salientou ainda que as pessoas que estavam no palco numa das quatro vezes em que Milei atacou o Brasil eram parte do grupo que tentou um golpe de estado no Brasil e que essa passagem foi uma "interferência absoluta" do presidente argentino em relação ao Brasil.
"O presidente Lula sempre diz que, para ele, não interessa a cor do partido que está no poder em outro país. Ele sempre diz que quer manter o diálogo, um diálogo correto, educado, de alto nível, defendendo o interesse nacional com todos os outros chefes de Estado, não só no nosso continente, mas em todo o mundo", afirmou, enaltecendo o presidente brasileiro ao dizer que Lula dá e recebe visitas de Estado
como nenhum outro brasileiro fez até hoje.
Vieira detalhou que a primeira das quatro manifestações de Milei que foram "agressivas, descabidas e grosseiras ao chefe de Estado brasileiro" ocorreu em 25 de julho, durante "uma campanha política de um candidato das eleições que ocorrerão dentro de dois meses" no Brasil. O evento foi o lançamento oficial de Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à Presidência, em São Paulo, e que contou com a participação do argentino.
"Ele (Milei), de forma surpreendente - absolutamente surpreendente, inclusive nas atitudes e no comportamento - agrediu as instituições brasileiras, agrediu o governo brasileiro", enfatizou, acrescentando na sequência que se tratavam de pessoas ligadas ao grupo que promoveu a tentativa de golpe de Estado no Brasil. "A tentativa de golpe de Estado no Brasil é muito clara, é conhecida, foi investigada. Foi objeto de um processo judicial grave e sério que levou à condenação pela primeira vez inclusive no Brasil de altos comandantes militares com o testemunho de outros comandantes militares que não aderiram ao golpe. Quer dizer, é uma interferência absoluta", avaliou.
Vieira reforçou ainda que o governo apresentou sua decisão de rebaixar as relações com a Argentina ao nível de encarregado de negócios até que "cessem as condições que provocaram essa decisão". "As condições foram os reiterados insultos e agressões ao Brasil, às instituições do governo brasileiro, ao Executivo brasileiro, ao chefe do Executivo e também ao Judiciário", elencou. "Foram quatro manifestações consecutivas no espaço de uma semana em que o presidente da Argentina, de uma forma muito grosseira, muito direta e muito agressiva, criticou de uma forma inaudita, de uma forma que nunca tinha se visto, o Brasil às instituições na pessoa do presidente da República, o presidente Lula", continuou.
O chanceler aproveitou para lembrar que Brasil e Argentina sempre tiveram as melhores relações desde 1985, quando houve um célebre encontro entre os presidentes brasileiro José Sarney e Raúl Alfonsín na fronteira. Na ocasião, segundo ele, se estabeleceu um novo tempo e um novo tipo de relações bilaterais, de integração, de colaboração e de cooperação entre os países. "Foi criada uma relação muito especial e exemplar, que lamentavelmente tentaram destruir nesse momento."
(Com Agência Estado)
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