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Venezuela aprova flexibilização do controle estatal sobre a indústria petrolífera

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

A Assembleia Nacional da Venezuela, de maioria governista, aprovou por unanimidade nesta quinta-feira, 29, uma reforma parcial da lei de hidrocarbonetos que reduz significativamente o rígido controle estatal sobre as operações petrolíferas, vigente nas últimas duas décadas. A reforma cria maiores oportunidades para o setor privado e para o investimento estrangeiro e permite o reconhecimento da arbitragem internacional em disputas de investimento.

A reforma da lei, que entrará em vigor quando for publicada no Diário Oficial, foi promulgada pouco depois pela presidente interina Delcy Rodríguez em um evento televisionado com trabalhadores do setor petrolífero.

A reforma legal ocorreu quase quatro semanas depois que as forças militares dos EUA capturaram o então ditador Nicolás Maduro em uma operação em Caracas.

Essa lei "reafirma a soberania sobre nossos recursos energéticos", disse a presidente, confirmando que recebeu um telefonema na quinta-feira do presidente dos EUA, Donald Trump, e de seu secretário de Estado, Marco Rubio.

Na conversa, foi relatado que "dentro da estrutura da agenda de trabalho que discutimos, estamos dando passos importantes e estamos falando sobre o fim das restrições ao espaço aéreo comercial da Venezuela, permitindo a entrada de todas as companhias aéreas que precisam vir e permitindo a entrada dos investidores que precisam vir", acrescentou.

Em paralelo à aprovação da reforma legal, o Departamento do Tesouro começou oficialmente a flexibilizar as sanções ao petróleo venezuelano, que haviam prejudicado gravemente a indústria, e ampliou a capacidade das empresas de energia americanas de operar no país sul-americano. Este foi o primeiro passo nos planos delineados pelo Secretário de Estado americano no dia anterior.

Na quinta-feira, Trump também anunciou que reabrirá o espaço aéreo venezuelano para voos comerciais. As medidas tomadas pelos dois governos na quinta-feira estão abrindo caminho para outra mudança geopolítica e econômica radical na Venezuela.

O governo Trump mantém seus esforços para assumir o controle das exportações venezuelanas de produtos petrolíferos, alegando que isso beneficiará o povo venezuelano, bem como para revitalizar o setor em dificuldades, atraindo investimentos estrangeiros para o país sul-americano.

Trump assinou recentemente uma ordem executiva que visa garantir que as receitas da venda de petróleo venezuelano permaneçam protegidas contra seu uso em processos judiciais por parte de seus credores. A lei busca impulsionar a produção de petróleo e tornar o pagamento direto de royalties ao governo venezuelano mais flexível.

A reforma modifica e revoga uma série de impostos sobre a extração, estabelecendo um limite de royalties de 30% e permitindo que o poder executivo defina percentuais para cada projeto na fase de execução, com base nas necessidades de investimento de capital, competitividade e outros fatores.

Segundo informações, o investidor assumirá os custos operacionais e os riscos de financiamento.

O governo Rodríguez espera que as mudanças sirvam de garantia para as principais empresas petrolíferas americanas que até agora hesitaram em retornar ao país. Algumas dessas empresas perderam investimentos quando o partido governista promulgou a lei, que permanecia em vigor há duas décadas, para favorecer a estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA).

A presidente interina afirmou repetidamente que a lei será "respeitosa" com a soberania do país, deixando claro que os campos de petróleo permanecerão propriedade do Estado venezuelano. Ela assegurou que se trata de "uma lei clara, com segurança jurídica, com regulamentações adaptadas às práticas internacionais neste setor".

Apesar de possuir uma das maiores reservas de petróleo do mundo - estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo o Escritório de Informação Energética dos EUA - a Venezuela enfrenta uma crise de longa data, agravada pela deterioração contínua de sua economia e pelo colapso de sua indústria petrolífera, principal fonte de suas receitas em moeda estrangeira.

Os críticos do governo atribuem o colapso do setor à má gestão e à corrupção na PDVSA durante os governos socialistas do presidente Hugo Chávez (1999-2013), antecessor e mentor político de Maduro.

O deputado da oposição Antonio Ecarri instou a assembleia a adicionar disposições sobre transparência e prestação de contas à lei, incluindo a criação de um site para tornar públicos o financiamento, os contratos e outros documentos e relatórios de gestão. Ecarri enfatizou que essas disposições também poderiam ser consideradas salvaguardas judiciais.

Essas garantias estão entre as principais mudanças que os investidores estrangeiros procuram ao considerar entrar no mercado petrolífero venezuelano.

As finanças da PDVSA também foram afetadas nos últimos anos pela queda dos preços do petróleo, por uma dívida externa enorme e pelas sanções dos EUA.

Em agosto de 2006, o governo Chávez realizou uma reforma na lei que promoveu a criação de joint ventures no setor petrolífero, revertendo os acordos operacionais e substituindo-os por parcerias com a estatal petrolífera PDVSA, nas quais manteve o controle majoritário dos projetos.

Enquanto empresas como a ExxonMobil e a ConocoPhillips deixaram o país e recorreram à justiça diante da onda de nacionalizações, empresas como a Chevron, entre outras, aceitaram a oferta de Chávez para criar uma empresa em conjunto com a PDVSA em termos que pareciam desfavoráveis.

A reforma incluiu a revogação de diversas leis, entre elas uma que regulamentava a participação privada nas atividades primárias de exploração de petróleo e outra que estabelecia termos e condições desfavoráveis ??para a criação e operação de empresas mistas.

*Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão. Saiba mais em nossa Política de IA.

(Com Agência Estado)

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