O escolhido internamente não é um diplomata de carreira, mas o empresário de mídia e estrategista político Darren Beattie, ex-redator de discursos e assessor de Trump na Casa Branca.
A mudança ocorre no momento em que os dois governos discutem preparativos de uma viagem em março, ainda sem data confirmada, do presidente Lula a Washington.
Atualmente, ele já atua na diplomacia e exerce o cargo de alto funcionário no Departamento de Assuntos Educacionais e Culturais. Antes, foi subsecretário para Diplomacia Pública do Departamento de Estado.
Segundo o Estadão apurou dias atrás, ele seria indicado para uma posição que lida com assuntos do Brasil e supervisiona outros países da América do Sul, dentre eles Paraguai, Argentina, Uruguai e Chile. A divisão é chamada de "Brasil e Cone Sul - BSC", dentro do Escritório do Hemisfério Ocidental.
A escolha de Beattie foi confirmada por fontes da chancelaria americana à agência de notícias Reuters. A agência reportou ter ouvido que ele já atua como conselheiro sênior para temas brasileiros.
O Estadão pediu manifestação ao Departamento de Estado sobre quando ele será oficialmente nomeado e assumirá as funções. A resposta de um alto funcionário da chancelaria americana foi: "O Sr. Beattie atua atualmente como conselheiro sênior para Políticas sobre o Brasil no Departamento de Estado e como alto funcionário do Escritório de Educação e Assuntos Culturais, onde continua a promover a agenda de política externa America First. Ele também é o presidente do recém-nomeado Instituto Donald J. Trump para a Paz".
Embora o nome desagrade em Brasília pelo perfil e histórico recente, o governo brasileiro não deve se pronunciar sobre a escolha, por considerar que esta é uma decisão exclusiva do governo Trump.
Ao longo da crise do tarifaço, no ano passado, a reportagem testemunhou diversas vezes interlocutores do governo brasileiro citando Beattie como um dos membros do "gabinete do ódio" dentro do Departamento de Estado. Outro nome é Ricardo Pita, conselheiro sênior no escritório que cuida das Américas.
São funcionários que atuaram próximos de assuntos como as sanções impostas a autoridades do Supremo Tribunal Federal e do governo Lula, revisavam políticas e coordenavam de perto manifestações públicas por escrito. Eles se reuniram com os líderes da campanha em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro, entre eles o comentarista e youtuber Paulo Figueiredo e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente.
"Nada como um dia após o outro, não é @BolsonaroSP? Se a gente fosse desistir no primeiro revés, como fazem os leitores de jornal emocionados, não teríamos nem saído do lugar. O trabalho é de longo prazo. Desejo sucesso ao Darren Beattie", celebrou Figueiredo.
"O presidente Trump e seu governo se opõem firme e enfaticamente ao complexo de perseguição e censura do Juiz de Moraes, violador de direitos humanos sancionado. Que esta última rodada de sanções e restrições de visto da Global Magnitsky sirva como um claro alerta para aqueles que se mostram cúmplices da campanha obscura de Moraes contra Jair Bolsonaro e seus apoiadores", afirmou Darren Beattie, em uma das manifestações, quando era responsável por Diplomacia Pública.
Ele baixou o perfil e saiu do radar no fim do ano passado, quando a crise entre os governos passou por uma mudança a partir dos contatos iniciais e de esforços diplomáticos para construir confiança e aproximar Lula e Trump, ocorridos por canais que tentavam justamente driblar o grupo de Beattie. Ele foi designado em outubro para cuidar de assuntos de Educação e Cultura.
A substituta dele nas funções de subsecretária de Diplomacia Pública, Sarah Rogers, confirmou a indicação de forma descontraída no X (antigo Twitter) ao publicar um vídeo que mostra capivara sendo removida de um supermercado brasileiro.
"Mais conteúdo sobre o Brasil como este em breve sob @DarrenJBeattie", escreveu ela na tarde desta sexta-feira, 27.
(Com Agência Estado)
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