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Simpatizantes de Morales entram em confronto com a polícia em escalada das tensões na Bolívia

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Apoiadores do influente ex-presidente boliviano Evo Morales entraram em confronto com a polícia nesta segunda-feira, 18, na capital, exigindo a renúncia do presidente e juntando-se a um movimento de protesto em todo o país, impulsionado pela pior crise econômica em uma geração.

Milhares de simpatizantes de Morales se reuniram na praça em frente à sede do governo, enquanto a Bolívia permanece paralisada por bloqueios de estradas que estrangularam cidades e provocaram escassez de alimentos e combustível nas últimas duas semanas.

A onda de protestos representa o maior desafio até agora para o presidente Rodrigo Paz, um centrista favorável aos negócios que chegou ao poder há seis meses, quando uma onda de vitórias eleitorais conservadoras varreu a região.

As forças de segurança repeliram os manifestantes que tentaram romper o cordão policial com bombas de gás lacrimogêneo, antes que pudessem chegar ao Congresso ou ao palácio presidencial. Explosões forçaram funcionários e parlamentares a evacuarem o local. "Pátria ou morte, nós venceremos!", gritavam os manifestantes, arrancando portas de lojas e incendiando sofás saqueados usados ??como barricadas.

"Eles podem marchar se for pacificamente, mas tomaremos medidas se cometerem crimes", disse o vice-ministro do Interior, Hernán Paredes.

A surpreendente vitória de Paz no ano passado evidenciou a desilusão dos bolivianos com duas décadas de domínio político do Movimento para o Socialismo (MAS) de Morales, enquanto o país enfrentava a pior crise econômica em 40 anos. Mas sua vitória sobre candidatos mais à direita também revelou a relutância da nação em apoiar medidas drásticas de austeridade.

Como primeiro líder conservador eleito da Bolívia desde 2006, Paz procurou equilibrar a austeridade com a necessidade de apaziguar os poderosos aliados de Morales, que poderiam perturbar sua presidência.

Para conter um enorme déficit orçamentário, ele eliminou os subsídios aos combustíveis, que representavam um pilar do modelo econômico do MAS. Mas manteve os programas de assistência social e ofereceu novos benefícios aos trabalhadores informais para atenuar o impacto da inflação.

Isso não foi suficiente para muitos bolivianos. O movimento de protesto começou com o sindicato nacional exigindo aumentos salariais. Em seguida, juntaram-se os agricultores furiosos com a má qualidade do combustível. Agora, os partidários de Morales querem a saída de Paz.

"Pequenos problemas vêm se acumulando - a questão salarial, a crise econômica, a gasolina contaminada que, segundo as pessoas, está danificando seus carros, a escassez de diesel", disse Verônica Rocha, analista política boliviana. "Uma grande parcela da população se sente politicamente abandonada. Eles não confiam mais em ninguém e, por causa disso, tudo pode acontecer."

Paz acusa Morales de orquestrar os distúrbios para minar seu governo. Os bloqueios de estradas são há muito tempo uma das principais armas dos movimentos sociais ligados a Morales, que afirmam representar a maioria indígena rural da Bolívia.

Nos últimos 16 dias, essa tática de protesto deixou cerca de 5.000 caminhões bloqueados em rodovias, esvaziando as prateleiras dos supermercados e deixando os hospitais com poucos suprimentos médicos. Críticos afirmam que se trata de uma forma perversa de protestar contra as dificuldades econômicas - associações empresariais relatam que os bloqueios causam prejuízos de mais de 50 milhões de dólares por dia.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast
(Com Agência Estado)

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