Mohaddeseh Fallahat contou que tudo parecia normal. "Aquela manhã foi como qualquer outro dia. Era normal para mim arrumar os sapatos deles na porta, pentear seus cabelos e colocar as mochilas em seus ombros. Não havia sinal de que seria a última vez", declarou Mohaddeseh.
Na sequência, a mãe relatou a última conversa e contou como tem sido os dias sem as crianças Amin e Mehdi. "Ao saírem pela porta, eles simplesmente disseram: 'mãe, venha nos buscar depois da escola'. Essa frase simples agora se repete mil vezes na minha mente, e a cada vez meu coração queima de dor", contou.
"Sou mãe, uma mãe que, mesmo agora, ao passar pelo quarto dos meus filhos, sente a necessidade de abrir a porta e vê-los dormindo em suas camas como sempre, ou sentados ali desenhando. Mas o quarto está silencioso. Muito mais silencioso do que qualquer casa deveria estar. Nenhuma mãe imagina que vai mandar seu filho para a escola com um sorriso no rosto, para depois ser recebida com silêncio. Nenhuma mãe está preparada para ouvir as palavras: 'seu filho não vai voltar'", disse Mohaddeseh, antes de pedir que a tragédia não seja esquecida e que os responsáveis sejam punidos com justiça, não com vingança.
Também presente na reunião, o ministro das relações exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o ataque à escola em Minab foi intencional. De acordo com ele, ninguém poderia acreditar que foi um erro dadas as "tecnologias mais avançadas e os sistemas militares e de dados de maior precisão" dos agressores.
"Esse ataque brutal é apenas a ponta visível de um iceberg muito maior, que esconde tragédias ainda mais graves, incluindo a normalização das mais horríveis violações de direitos humanos e do direito internacional humanitário. (...) O padrão de alvos dos agressores, juntamente com sua retórica, deixa pouca dúvida de que sua intenção clara é cometer genocídio", afirmou Araghchi.
Conforme informações do chanceler, mais de 600 escolas em todo o Irã foram demolidas ou danificadas desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ações militares contra o país e mais de mil alunos e professores foram mortos ou feridos. O Irã contabilizou 175 mortes no ataque à escola em Minab.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, o austríaco Volker Türk, solicitou na mesma sessão que os Estados Unidos concluam uma investigação já anunciada sobre o bombardeio à escola. "Funcionários de alto escalão americanos disseram que o bombardeio está sendo investigado. Exijo que esse processo seja concluído o mais rápido possível e que suas conclusões sejam tornadas públicas. Deve haver justiça pelo terrível dano causado", afirmou.
(Com Agência Estado)
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