Os sobreviventes relataram à Cruz Vermelha que mais de 100 pessoas estavam a bordo inicialmente, incluindo mulheres e um bebê. Pelo menos cinco pessoas morreram, e dezenas estão desaparecidas e são dadas como mortas.
A agência espanhola afirmou que um de seus aviões avistou uma embarcação em situação precária à deriva a cerca de 120 km ao sul da ilha de Gran Canaria, na tarde de quarta-feira, 2.
Três sobreviventes foram imediatamente levados de helicóptero para um hospital na ilha. Os outros 41 imigrantes foram resgatados por barco e levados em segurança, desembarcando nas primeiras horas desta quinta-feira no porto de Arguineguín, onde receberam atendimento da Cruz Vermelha.
O porta-voz da Cruz Vermelha nas Ilhas Canárias, José Antonio Rodríguez Verona, disse à Associated Press que todos os sobreviventes são homens, alguns menores de idade, e vinham do Mali ou do Senegal.
Segundo Verona, eles estavam desorientados e desidratados e muitos desmaiaram ou vomitaram ao chegar à terra firme. Embora tenha sido difícil obter informações precisas devido ao estado frágil de saúde deles, os imigrantes disseram que haviam partido da Gâmbia e ficado à deriva no mar por "muitos e muitos dias". Alguns estimaram que estavam no mar havia quase um mês.
Com os mantimentos se esgotando, eles ficaram doentes por beber água do mar. À medida que as pessoas morriam durante a viagem, seus corpos eram jogados no oceano, até que os sobreviventes não tivessem mais forças para fazê-lo.
Cinco corpos foram encontrados dentro do barco. No entanto, o Serviço de Salvamento Marítimo da Espanha afirmou que não conseguiu recuperá-los devido aos ventos fortes e às ondas de 2,5 metros de altura.
Helena Maleno, fundadora da organização de defesa dos direitos dos imigrantes Walking Borders, que monitora mortes e desaparecimentos nas rotas migratórias para a Espanha, informou que 83 pessoas morreram durante a viagem, incluindo três mulheres e um bebê. Em uma publicação no X, Helena disse que o barco havia partido da Gâmbia 27 dias antes.
A ativista e a Walking Borders são frequentemente procuradas por familiares de imigrantes desaparecidos e costumam repassar pedidos de ajuda e resgate às autoridades espanholas.
A rota atlântica da África Ocidental para as Ilhas Canárias, na Espanha, é uma das travessias mais mortais para a Europa. Embora as chegadas ao arquipélago espanhol tenham caído significativamente no último ano, dezenas de milhares de pessoas morreram ou desapareceram nos últimos anos, com várias embarcações de imigrantes se perdendo e ficando à deriva por todo o Atlântico até chegar às Américas. (Com informações da Associated Press).
(Com Agência Estado)
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