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Mundo Terça-feira, 07 de Julho de 2026, 13:00 - A | A

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Terça-feira, 07 de Julho de 2026, 13h:00 - A | A

Democratas pressionam Platner a desistir de candidatura ao Senado após denúncia de abuso sexual

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

*Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

Líderes democratas pediram na segunda-feira, 6, que o candidato Graham Platner desista da candidatura ao Senado dos Estados Unidos após acusações de agressão sexual, apesar das grandes chances de conquistar uma cadeira nas eleições de meio de mandato.

De acordo com o site americano Politico, a ex-companheira de Platner, Jenny Racicot, de 41 anos, o acusou de tê-la forçado a manter relações sexuais no fim de 2021.

Platner, cuja ascensão meteórica foi comparada à do presidente dos EUA, Donald Trump, negou a acusação, mas disse que consideraria os próximos passos de sua campanha.

"Independentemente das imprecisões da reportagem, mas cientes da realidade política que ela irá desencadear, estamos reservando um tempo para refletir sobre o melhor caminho a seguir", afirmou o candidato em um vídeo publicado nas redes sociais. Ele também classificou as acusações como "preocupantes, graves e falsas".

Jenny relatou ao Politico que Platner invadiu sua casa em 2021, embriagado, e a agrediu. Ela afirmou que mantinha um relacionamento intermitente com o candidato, mas cortou relações após o episódio. Em entrevista à emissora americana CNN, a mulher acrescentou que não reagiu por medo de que Platner ficasse ainda mais violento.

"Naquela noite, ele violou várias camadas de consentimento", disse Jenny.

Quem é o ex-fuzileiro naval Platner

O democrata tem 41 anos, é ex-fuzileiro naval e um novato na política. No mês passado, venceu as primárias democratas no Maine. O Estado da Costa Leste, na fronteira com o Canadá, é crucial para a oposição em seus esforços para retomar o controle do Senado em novembro.

Ele se preparava para enfrentar a senadora republicana Susan Collins, que está entre os principais alvos dos democratas e já frustrou tentativas anteriores de destituí-la da cadeira que ocupa há quase três décadas.

O líder do Partido Democrata no Senado, Chuck Schumer, e o Comitê de Campanha Senatorial Democrata (DSCC, na sigla em inglês) classificaram as acusações como "incrivelmente perturbadoras" e exigiram a saída "imediata" de Platner. Também indicaram que pretendem retirar o financiamento caso ele decida prosseguir com a candidatura.

Horas depois da publicação da reportagem do Politico, o Comitê Nacional Democrata enviou um e-mail solicitando doações para campanhas ao Senado, mas o Maine não estava entre os Estados contemplados. O presidente da legenda, Ken Martin, afirmou que "os democratas do Maine devem escolher um novo candidato".

Platner também perdeu o apoio do deputado Ro Khanna, da Califórnia, do senador Ruben Gallego, do Arizona, e da senadora Elizabeth Warren, de Massachusetts, além dos principais dirigentes do Partido Democrata no Maine.

"Esta eleição para o Senado ocorre em um momento crucial na luta contra um governo, apoiado pela senadora Collins, que serve aos interesses dos ricos e poderosos em detrimento do povo comum do Maine. É essencial que redirecionemos o foco desta campanha para essa luta", disseram o presidente do Comitê Estadual Democrata do Maine, Charlie Dingman, a vice-presidente, Imke Schessler, e a diretora-executiva, Devon Murphy-Anderson, em nota conjunta.

A legislação estadual permite que Platner seja substituído na cédula eleitoral caso desista da candidatura até a próxima segunda-feira, 13. O candidato substituto deve ser nomeado até 27 de julho.

A reportagem do Politico foi publicada após outras polêmicas envolvendo Platner, relacionadas a antigos comentários na internet e mensagens de teor sexual, além de uma tatuagem com conotação nazista, posteriormente coberta, e de acusações de violência contra mulheres.

Em 2013, Platner publicou no Reddit que as pessoas não deveriam ficar tão bêbadas a ponto de "acabarem fazendo sexo com alguém com quem não queriam" e que as vítimas de agressão sexual deveriam "simplesmente assumir a responsabilidade por si mesmas". Ele se desculpou posteriormente pela publicação e afirmou não compartilhar mais dessas crenças.

O candidato admitiu que enfrentou dificuldades relacionadas a um transtorno de estresse pós-traumático não diagnosticado e ao abuso de álcool, mas negou ter agredido fisicamente ex-parceiras.

*Com informações das agências internacionais.

(Com Agência Estado)

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