O projeto “Roda de Conversa e Capacitação de Trabalhadores Expostos a Poluentes Ambientais e Ocupacionais em Mato Grosso” da UFMT receberá R$ 652 mil para realizar ações de conscientização sobre os riscos, incentivar práticas seguras de trabalho e apoiar o diagnóstico precoce de doenças. Os valores foram destinados pela Comissão de Ações Afirmativas da Justiça do Trabalho em março.
Ao todo, cerca de 700 trabalhadores devem ser beneficiados diretamente com o projeto, mas o alcance indireto está estimado em mais de 20 mil beneficiados. Essas pessoas moram nos municípios de Campo Novo do Parecis, Sapezal, Primavera do Leste, Rondonópolis, Tangará da Serra, Diamantino, Água Boa, Canarana, Campo Verde e Campos de Júlio. Cidades consideradas áreas críticas devido à intensa exposição a agrotóxicos, poeiras minerais e metais pesados, resultantes principalmente das atividades agrícolas e mineradoras.
As rodas de conversa, eixo central do projeto, propõem encontros presenciais e virtuais que colocam frente a frente trabalhadores, profissionais de saúde, lideranças e representantes comunitários. “A proposta é criar um espaço de escuta e troca, capaz de transformar conhecimento técnico em orientações práticas para reconhecimento de sinais de alerta, compreensão dos riscos do ambiente de trabalho, adoção de medidas de proteção e busca de atendimento no momento certo”, explica o professor de Epidemiologia do Instituto de Saúde Coletiva da UFMT, Ageo Cândido da Silva.
Segundo o docente, a iniciativa é pioneira no país. “Fizemos um levantamento de dados para a escolha dos municípios mais afetados por poluentes ambientais e com a destinação de recursos das Ações Afirmativas poderemos desenvolver uma ação de grande relevância social”, diz.
A iniciativa também irá fortalecer a conexão entre quem vive o problema e quem pode ajudar a solucioná-lo. “Ao aproximar universidades, serviços de saúde, sindicatos e instituições públicas, o projeto cria uma rede capaz de sustentar mudanças duradouras, ampliar a vigilância em saúde do trabalhador e incentivar respostas mais rápidas e eficazes”, avalia o professor.
Dados do Instituto Nacional de Câncer, que embasaram a criação do projeto, estimam cerca de 6 mil casos de câncer em Mato Grosso a cada ano, o que coloca a doença entre as principais causas de morte no país. “Mais que estatísticas, os números revelam histórias reais de trabalhadores que enfrentam sintomas sem diagnóstico, famílias que lidam com perdas evitáveis e comunidades inteiras que ainda carecem de informação e acesso à prevenção”, pontua o acadêmico.
Impacto Social
Ao aprovar o projeto, danos são transformados em benefícios sociais. Essa é a intenção do TRT de Mato Grosso, do Ministério Público do Trabalho e da OAB-MT, instituições que integram a Comissão de Ações Afirmativas. O grupo gere os valores oriundos de condenações ou multas por descumprimento da legislação trabalhista.
Os encontros da Comissão ocorrem mensalmente. Em março, cinco propostas foram aprovadas, entre elas a ação proposta pela UFMT. Assim como a Universidade, instituições sociais, públicas ou privadas, que queiram pleitear os recursos podem apresentar projetos.
As informações relacionadas às Ações Afirmativas do Tribunal estão disponíveis no site do TRT/MT, na aba Serviços, menu Ações Afirmativas de Cidadania. Na página, é possível consultar os projetos já contemplados, as datas das reuniões e a relação de documentos a serem apresentados.
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