Apesar de melhorias identificadas no segundo ciclo unificado de auditorias do Ministério Público Federal (MPF), sobre a cadeia da carne na Amazônia Legal, o “TAC da Carne”, o Greenpeace Brasil alerta que o setor ainda falha em conter a destruição ambiental causada pela pecuária que contamina sua cadeia. A ausência de monitoramento dos fornecedores indiretos — onde se concentram as maiores irregularidades — mantém a porta aberta para o desmatamento ilegal e invasão de áreas protegidas, perpetuando danos críticos ao bioma. Além disso, muitas empresas ainda não apresentam auditorias de terceira parte, prejudicando uma análise mais completa do setor.
A Tac da Carne inclui os estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. A propsta é garantir que a carne comercializada tenha origem legal, sem desmatamento ilegal, trabalho escravo ou invasões a terras indígenas e unidades de conservação. As empresas que aderiam ao TAC como a JBS e Marfrig apresentaram 4% de irregularidade e as que não aderiram registaram 52% de não conformidade.
“O trabalho conduzido pelo MPF e parceiros no TAC da Carne é um esforço fundamental em trazer transparência à cadeia de fornecimento dos frigoríficos, mas, enquanto o setor de fato não implementar o monitoramento de sua cadeia, não é possível afirmar que eliminaram o desmatamento da cadeia de suprimento”, explica a porta-voz do Greenpeace Brasil, Thais Bannwart.
A porta-voz também ressalta que os dados não contemplam o monitoramento e bloqueio dos fornecedores indiretos: “Um gargalo crucial em relação a esses dados – e que faz toda a diferença – é a falta de monitoramento e bloqueio dos fornecedores indiretos, onde se concentra a maior parte das irregularidades socioambientais. Essa deve ser uma evolução do compromisso de controle dos frigoríficos, mas, enquanto esse dia não chega, é como se estivéssemos celebrando uma meta atingida que, na verdade, é apenas uma parte do problema”, afirma Bannwart.
O Greenpeace Brasil reforça que os principais frigoríficos do país, como a JBS, se comprometeram em 2009 a eliminar o desmatamento – direto e indireto – de suas cadeias produtivas até 2011 e, quase quinze anos depois, o compromisso ainda está longe de ser alcançado no que se refere aos indiretos.
“Estamos em 2025 e não vemos um avanço robusto nesse sentido. Celebramos a iniciativa do MPF, mas aguardamos a inclusão da cadeia de fornecedores indiretos para termos realmente motivos para comemorar”, alerta Bannwart.
Auditorias nos frigoríficos
Conduzido pelo Ministério Público Federal (MPF), o ciclo de auditorias unificado avaliou o cumprimento de critérios socioambientais por 89 frigoríficos na Amazônia, com base nas compras de gado realizadas em 2022. Apesar de melhorias identificadas em todos os estados, a análise do Greenpeace Brasil destaca que a perspectiva apresentada para o monitoramento de fornecedores indiretos é fundamental para enfrentar as já identificadas limitações do modelo atual. A organização também chama atenção para a prática conhecida como “lavagem de gado”, quando animais oriundos de fazendas irregulares são transferidos para propriedades regularizadas antes de serem vendidos aos frigoríficos, burlando os mecanismos de controle.
Os impactos da falta de controle da cadeia indireta já são amplamente documentados. O Greenpeace relembra, por exemplo, os fatos do dossiê JBS Cozinhando o Planeta, que reúne evidências do envolvimento do maior frigorífico do país com áreas desmatadas ilegalmente.
“O desmatamento na Amazônia precisa ser zerado com urgência, antes que o bioma atinja seu ponto de não retorno. Isso passa por regular o setor agropecuário e também os fluxos de crédito e investimentos que ainda alimentam atividades ilegais e predatórias”, conclui Bannwart.
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