Justiça Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011, 10:50 - A | A

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TRAGÉDIA

Familiares das vítimas do acidente áereo em MT cobram o MPF

Acusam o então chefe do Cenipa, major-brigadeiro, Jorge Kersul Filho, de fraude processual

DA REDAÇÃO

Arquivo

Familiares e amigos das vítimas do acidente do Boeing da Gol denunciam o oficial da aeronáutica, major-brigadeiro Jorge Kersul Filho, por crime de fraude processual durante as investigações da queda do avião. O acidente aconteceu quando o jato Legacy, pilotado pelos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, colidiu com o Boeing da Gol, deixando 154 vítimas.

A Associação dos Familiares e Amigos das vítimas revelou documentos que comprovam que Jorge Kersul cometeu o crime. O acidente, considerada a segunda maior tragédia aérea do Brasil, ocorreu no dia 29 de setembro de 2006, está completando cinco anos. O oficial ainda não foi processado pelo crime.

Kersul era chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) na época do acidente. Durante o processo criminal movido contra os pilotos, o Ministério Público Federal (MPF), determinou a apreensão de todos os equipamentos que foram retirados do Legacy e também nomeou o chefe do CENIPA, como fiel depositário das partes do jato. Contrariando a decisão do MPF, o Brigadeiro entregou os equipamentos do Legacy à empresa fabricante do avião, a ExcelAire.

A atitude de Kersul pode configurar crime de fraude processual e a pena pode ser aplicada em dobro, segundo explica o advogado que atua como assistente de acusação do MPF no processo criminal, Dante D’Aquino. “Esse crime tem pena de três meses a dois anos de prisão, mas quando é cometido para produzir efeitos em um processo criminal, a pena pode dobrar”, afirma. Os familiares das vítimas do acidente aguardam a instauração do processo pelo Ministério Público, representado pela Procuradora da República, Analícia Ortega Hartz.

Além de entregar os equipamentos à empresa dona do jato, Kersul também está envolvido no processo de furto de pertences dos familiares. Uma série de problemas em relação ao sumiço de objetos das vítimas, entre outras questões, levaram a discussões na CPI do caos aéreo, instaurada um ano após o acidente.

Nesses debates os familiares pediam a investigação e Kersul declarou que pessoas estranhas tiveram acesso ao local do acidente, incluindo os próprios familiares e índios da Floresta Amazônica, local onde o avião caiu.

O oficial foi testemunha do processo criminal em janeiro deste ano, onde relatou “falta de memória” em vários momentos da oitiva e pouca cooperação à acusação. Apesar disso, Kersul foi promovido ao cargo de Comandante do 6.º Comando Aéreo Regional (Brasília/DF), uma das mais altas funções da Aeronáutica. A promoção aconteceu em março deste ano.

Rosane Gutjahr, diretora da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907 e que perdeu o marido no acidente, diz que espera que o MPF tome uma providência. “Os familiares têm esperança de que a atitude do oficial não fique impune e que ele seja condenado pelo crime que cometeu, pois já se passaram cinco anos. Além disso, ele não poderia ter sido promovido. Mas acreditamos que a justiça será feita”, declara.

ASSOCIAÇÃO

A Associação foi fundada em 18 de novembro de 2006, pouco depois da tragédia, na cidade de Brasília, no Distrito Federal, com o objetivo de reunir e organizar os familiares e amigos das vítimas do acidente aéreo voo 1907, da empresa Gol Linhas Aéreas Inteligentes S/A, para lutar pela defesa de todos os direitos e interesses dos que sofreram e sofrem com a morte de entes queridos.

Após cinco anos de impunidade, a Associação busca a justiça em todas as esferas administrativas e judiciais (cível e criminal), para que os culpados pelo acidente sejam responsabilizados. (Com Assessoria).
 

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