Após 21 anos de espera e diversos entraves processuais, teve início, às 13h30 desta quinta-feira (23), o julgamento popular contra o advogado Aroldo Fernandes da Luz, conhecido como "Aroldão". Ele é acusado de tentar matar a então namorada, a advogada Carla Santos Queiroz, em janeiro de 2005. O julgamento será conduzido pelo promotor Vinicius Gahyva e representa um marco para a rede de proteção à mulher, já que o crime ocorreu antes da vigência da Lei Maria da Penha.
O crime, que chocou pela brutalidade, teria sido motivado por uma razão fútil: a vítima manifestou o desejo de ir embora de uma festa de casamento. De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), o espancamento ocorreu na madrugada de 8 de janeiro de 2005, no estacionamento do Hotel Fazenda Mato Grosso, no bairro Coophema, na capital. Após uma discussão, o réu teria desferido uma sequência de socos, chutes e pontapés contra a vítima, mesmo após ela ter caído ao chão.
Após a sessão de espancamento, acreditando que a namorada estivesse morta, o acusado a colocou no interior de um veículo e a abandonou em uma área deserta nas proximidades da Avenida Fernando Corrêa e da Rodovia Arquimedes Pereira Lima.
Segundo as investigações, Aroldo retornou para casa e chegou a lavar o carro para apagar vestígios do crime. Carla foi encontrada horas depois, ensanguentada e desorientada, por por Sílvia do Rócio Slominski, que a socorreu e a encaminhou ao Pronto-Socorro Municipal, permitindo que ela sobrevivesse ao ataque.
Laudos periciais confirmaram que Carla sofreu lesões gravíssimas, especialmente na região da cabeça, chegando a ter parte do crânio exposta e permanecendo em coma por três dias. A gravidade das agressões exigiu que a advogada passasse por cirurgias plásticas de reconstrução facial para corrigir as deformidades causadas pelo agressor.
Mesmo após a tentativa de homicídio, Aroldo Fernandes da Luz voltou a ser alvo da Justiça por descumprir medidas protetivas e continuar ameaçando Carla. A acusação aponta que o réu tentou coagir a vítima a mudar seu depoimento, enviando e-mails com ameaças diretas sobre "balas perdidas e assaltos violentos".
Em uma das mensagens anexadas ao processo, o advogado afirmava que a ex-namorada deveria "aguentar as consequências" por sua teimosia em colaborar com o inquérito policial, o que levou a magistrada Amini Haddad Campos a decretar sua prisão na época.
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A tramitação do processo foi marcada por uma lentidão atípica, enfrentando obstáculos como a perda de parte dos autos após um incêndio em uma delegacia, exigindo a reconstrução total da documentação. Somente em 2021 a Justiça decidiu pronunciar o réu ao Tribunal do Júri, reconhecendo indícios suficientes de autoria e materialidade.
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