"Nenhuma seleção da Uefa vai participar de competições da Fifa enquanto estas propostas estiverem vivas, a não ser que ela seja inteiramente abandonada e haja garantias de que a Fifa nunca mais abrirá sua governança ou suas competições à propriedade privada", diz a Uefa em comunicado.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, determinou na última terça-feira, 29, um prazo de 53 dias para que as 211 associações nacionais aprovem o plano. Em carta enviada aos membros, afirmou-se que as entidades que rejeitassem a proposta poderiam perder em até 75% do financiamento previsto no novo modelo.
Seguindo o calendário, os próximos campeonatos em que seleções europeias estariam seria os playoffs das Eliminatórias da Copa Feminina, no mês de outubro. Com o prazo estabelecido por Infantino, até este próximo compromisso a proposta já terá uma aprovação ou não por parte das confederações. O Estadão procurou a CBF e a Conmebol mas ainda não obteve posicionamento.
Anterior a este torneio, haverá o Mundial feminino da categoria sub-20 na Polônia. Com início em 5 de setembro, este poderá ser a primeira efetivação do boicote, caso mantenha-se.
Ainda em sua nota, a Uefa afirma que o futebol não é algo que possa ser comercializado, em especial a Copa do Mundo, que pertence à este meio.
"Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão prontas a aceitar, mas pelo que se recusam a negociar. Esse é um destes momentos. Algumas coisas são simplesmente importantes demais para vender. A Copa do Mundo pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, nunca estará à venda", finaliza a entidade em seu posicionamento.
CONFIRA A NOTA COMPLETA DA UEFA
"A Uefa e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos de forma unânime e inequívoca a proposta da Fifa de transferir participações acionárias na Copa do Mundo e em outras competições da Fifa para investidores privados.
A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. É um dos maiores legados do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores em todos os continentes. Nenhuma parte dela jamais deveria ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.
É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à beira da aprovação sem qualquer consulta significativa com os responsáveis ??pela gestão do esporte. Isso não é apenas uma profunda falha de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial.
As federações nacionais de todo o mundo enfrentam agora um ultimato: aceitar a captura irreversível das maiores competições de futebol ou arcar com as consequências. Esta não é uma "decisão democrática", mas sim uma governança pela intimidação - um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada da gestão do futebol mundial.
Mas a nossa oposição vai muito além dos processos. No momento em que investidores externos adquirem participações acionárias em competições da FIFA, o futebol muda para sempre. O retorno comercial torna-se uma obrigação permanente. As expectativas dos investidores transformam-se em uma pressão diária. A partir desse momento, cada decisão sobre o calendário internacional, cada decisão sobre os formatos das competições e cada decisão que molda o futuro do futebol deixa de ser guiada pelo que é melhor para o esporte e passa a ser guiada pelo que é melhor para os acionistas.
Este modelo não tem lugar no futebol mundial. O futuro do futebol não pode ser ditado pelas expectativas daqueles cuja principal obrigação é maximizar o retorno financeiro. Nem os interesses das federações nacionais, ligas, clubes, jogadores e torcedores podem ser subordinados ao retorno dos investidores. O futebol não pode hipotecar seu futuro em busca de lucro.
A posição da Europa é clara. Jamais daremos legitimidade a esse modelo. Ninguém tem autoridade moral para vender aquilo que simplesmente detém em custódia para a próxima geração.
Como resultado da discussão de hoje, nenhuma seleção nacional da Uefa participará de qualquer competição da Fifa enquanto essas propostas permanecerem em vigor, a menos que a proposta seja abandonada por completo e que sejam dadas garantias vinculativas de que a Fifa jamais abrirá sua governança ou competições à propriedade privada.
Ninguém deve ter dúvidas: a Uefa e suas federações nacionais se oporão a esses planos com absoluta determinação.
Há momentos em que as instituições são julgadas não pelo que estão dispostas a aceitar, mas pelo que se recusam a ceder. Este é um desses momentos.
Algumas coisas são simplesmente importantes demais para serem vendidas. A Copa do Mundo da Fifa pertence ao futebol. Sempre pertencerá. E enquanto a Europa tiver voz, ela jamais estará à venda."
(Com Agência Estado)
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