Publicado na tarde desta quinta-feira, 10, levantamento da Atlas/Bloomberg confirmou a expectativa de avanço nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas um movimento de realização moderou a queda das taxas no restante da sessão. Ao fim da manhã, a curva de juros inverteu o sinal positivo e passou a ceder, em meio a suspeitas de vazamento da pesquisa e, também, ao crescimento de Flávio apontado em casas de aposta como a Polymarket.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu a 13,%, de 13,572% no ajuste da véspera. O DI para janeiro de 2029 teve baixa de 13,86% no ajuste anterior a 13,%. O DI para janeiro de 2031 cedeu a 13,%, vindo de 14,091% no ajuste.
O mercado local de renda fixa abriu pressionado não só pelo cenário externo, com o contrato futuro de petróleo tipo Brent fechando acima de US$ 107, mas também pela perspectiva de que o leilão de prefixados do Tesouro Nacional seria grande. A autoridade fiscal, porém, colocou 11,65 milhões de títulos nesta quinta-feira, dos quais 11,25 milhões foram absorvidos - bem abaixo dos 33 milhões de papéis da semana anterior.
Apenas a surpresa com o tamanho do certame, porém, seria insuficiente para justificar a reversão observada na curva já perto do final da manhã, quando os vértices médios e longos bateram mínimas intradia, com recuo de cerca de 15 pontos-base.
Embora alguns agentes tenham atribuído a melhora à virada de cenário sobre as eleições brasileiras em casas de aposta no exterior, com o filho de Jair Bolsonaro ultrapassando 50% dos votos na Kalshi e Polymarket, um profissional do mercado afirmou à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) categoricamente que este não foi o real vetor, mas sim o vazamento da Atlas. "A invertida na Polymarket já vinha desde a manhã, e o DI só virou umas 11h30. Foi a Atlas, que vazou", disse.
Divulgada às 14h30, a pesquisa indicou empate técnico entre Flávio e Lula em eventual segundo turno, com 46,4% das intenções de voto para o senador e 46,2% para o petista. Frente ao levantamento de agosto, Flávio subiu 3,8 pontos porcentuais, enquanto Lula teve redução de 0,9 ponto.
Economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez observa que, além de enquetes eleitorais, outro fato que pode ter beneficiado o candidato do PL foi o noticiário relacionado ao filme "Dark Horse". A Polícia Federal cumpriu nesta quinta mandados de busca e apreensão para investigar a destinação de emendas parlamentares para financiar a cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. "Muitas pessoas estavam com receio que Flávio estivesse envolvido nessas operações, o que não apareceu", apontou Sanchez.
Segundo o economista, vários vetores foram monitorados simultaneamente no pregão desta quinta, mas, a exemplo das últimas sessões, o 'trade' eleitoral tem exercido maior influência sobre os preços, em razão do otimismo dos investidores com uma guinada da política fiscal, em caso de alternância de poder. "Um cenário de vitória de Flávio coloca um juro mais baixo", diz Sanchez, que está revendo as perspectivas da Ativa para a Selic.
Do lado da atividade, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, não teve impacto na curva, mas endossou a percepção de que há espaço para o Banco Central continuar calibrando a Selic. O dado ficou estável entre junho e julho, abaixo do consenso de mercado de alta de 0,2%. Em relatório, as economistas Natalia Cotarelli e Marina Garrido, do Itaú, afirmam que o indicador reforçou a leitura de perda de fôlego do PIB no terceiro trimestre.
(Com Agência Estado)
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