A servidora Ana Raquel Gomes da Silva foi informada nesta quarta-feira de sua exoneração do cargo de gerente da Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais (GECOI). A gerente seria substituída por um dos servidores recém-concursados que ingressaram há poucos meses no instituto, ainda em estágio probatório, a exemplo do que já ocorreu recentemente em outros cargos de chefia na Coordenação de Comunicação Social, informaram fontes à reportagem.
A direção do IBGE comunicou ainda que o local de trabalho da equipe da Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais será transferido das atuais instalações nas imediações do Maracanã, na zona norte da cidade, para o prédio do instituto em Parada de Lucas, às margens da Avenida Brasil, uma distância de mais de 20 quilômetros, ressaltou o sindicato.
"O ambiente não possui condições adequadas para funcionamento pois não recebeu as reformas avaliadas como necessárias pela própria instituição em 2018. Trata-se de mais uma medida retaliatória. Ana Raquel e sua equipe protagonizaram embates públicos com a gestão Pochmann, inclusive no episódio da denúncia do uso político da publicação 'Brasil em Números 2024'", declarou a executiva nacional da Assibge-SN, em nota pública.
Ana Raquel Gomes da Silva foi uma das denunciantes a manifestar repúdio à divulgação de uma publicação oficial do instituto contendo um prefácio assinado pelo governo do estado de Pernambuco, que poderia caracterizar "propaganda política" e "campanha eleitoral". A divulgação foi mantida pela gestão Pochmann apesar dos alertas e recomendações contrárias da área técnica do órgão ainda em novembro de 2024, quando o material era preparado, denunciaram os trabalhadores.
"Em frontal desacordo com as boas práticas institucionais e sem qualquer preocupação com a possibilidade de que tal prefácio pudesse caracterizar propaganda política em um periódico tradicional da Casa, o que constitui algo absolutamente inédito no IBGE, o texto recebido e aprovado pela Direção enaltece estatísticas do Governo de Pernambuco, discorre sobre ações e programas de sua gestão", denunciaram, em janeiro de 2025, os técnicos Ana Raquel e Leonardo Ferreira Martins, da Gerência de Editoração (GEDI). "Conteúdos de tal natureza, característicos de campanhas eleitorais, não se coadunam com a neutralidade técnica que deve nortear a produção editorial do IBGE, sobretudo em uma publicação com abrangência geográfica nacional."
Os servidores se referiam à 32ª edição do periódico "Brasil em Números 2024", divulgado no Recife, em Pernambuco, em janeiro de 2025. Um dos prefácios trazia o nome de Raquel Lyra (à época filiada ao PSDB/PE), governadora de Pernambuco, mencionando ações e prioridades de seu governo no atendimento à população local. O texto incluía citações a diferentes programas de sua gestão à frente do governo do estado.
"Esse caso se soma a diversas outras exonerações e remoções arbitrárias promovidas pela gestão Márcio Pochmann, que vem conduzindo uma caça às bruxas contra servidores que se posicionam na defesa técnica, institucional e histórica do IBGE. A defesa de uma comunicação institucional independente, do acervo histórico e de um programa de trabalho sem captura por estruturas paralelas, como o IBGE+, tem sido tratada como afronta pela atual gestão. Esse processo inclui ainda medidas antissindicais, como ataques à ASSIBGE e tentativas de silenciamento da representação dos trabalhadores", manifestou o sindicato nesta quarta-feira, 28, após a nova exoneração.
A gestão Pochmann anunciou recentemente uma mudança também na gestão da Coordenação de Contas Nacionais, que calcula o Produto Interno Bruto (PIB), do País. A troca teria motivado mais três pedidos de exoneração de gerentes da área.
O IBGE comunicou publicamente a destituição da servidora Rebeca Palis do cargo de coordenadora de Contas Nacionais através de nota publicada na noite do último dia 19. Palis será substituída por Ricardo Montes de Moraes, servidor do instituto desde 2005. A troca foi conduzida de forma "abrupta", sem fundamentação nem plano de transição, fragilizando o corpo técnico já sobrecarregado, avaliou então a executiva nacional do Assibge-SN, em nota divulgada na sequência.
"A ausência de fundamentação e de um plano de transição, em um contexto marcado por sucessivas exonerações, acende um sinal de alerta e fragiliza equipes já sobrecarregadas pela escassez de pessoal. Esse episódio se soma a críticas mais amplas à gestão atual do IBGE, destacando-se: a falta de respeito e diálogo institucional; a inexistência de processos de transição adequados; e desvalorização do acúmulo técnico histórico da instituição em favor de ações de caráter predominantemente midiático", enumerou o sindicato, na nota oficial.
A entidade que representa os trabalhadores reconhece que seja uma prerrogativa da administração a substituição de titulares de cargos de chefia, mas defende que as mudanças priorizem "a continuidade dos programas de trabalho e a preservação institucional".
Na esteira da saída de Palis, três gerentes da área pediram exoneração: Cristiano Martins, Claudia Dionísio e Amanda Tavares. No entanto, os três servidores permanecem trabalhando na coordenação em seus respectivos postos de chefia até a próxima divulgação do PIB, marcada para 3 de março, para publicação dos dados referentes ao fechamento de 2025. Os cálculos do PIB não serão prejudicados pelas mudanças, e as exonerações só devem ser publicadas após a divulgação dos números, explicou a servidora Clician do Couto Oliveira, integrante da executiva nacional do sindicato dos trabalhadores do IBGE, a Assibge-SN.
"Pediram exoneração do cargo comissionado", lembrou Clician. "São servidores comprometidos com a instituição."
Questionado sobre as trocas na Coordenação de Contas Nacionais, o IBGE não respondeu sobre a entrega de cargos pelos gerentes, mas frisou que "a Diretoria de Pesquisa (DPE) reitera que está em andamento, de forma dialogada, o cronograma de transição entre a atual e o futuro coordenador, garantindo o cumprimento integral do Plano de Trabalho e plenamente o cronograma de divulgações para o ano de 2026."
Rebeca Palis estava à frente do projeto periódico de mudança do ano base do Sistema de Contas, que na revisão atual passará de 2010 para 2021, "processo complexo e sensível que envolve a revisão de metodologias de cálculo, a incorporação de novas bases de dados e a atualização de bases históricas", conforme ressaltado em nota do sindicato.
Empossado como presidente do IBGE em agosto de 2023, a gestão de Marcio Pochmann tem sido marcada por diferentes embates com trabalhadores do instituto. Nos protestos e manifestações públicas de trabalhadores e do sindicato que representa a categoria, a administração de Pochmann é acusada de autoritarismo, perseguição e retaliação a servidores que se opõem a medidas da atual gestão.
Responsável pela coordenação e divulgação dos cálculos do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro há 11 anos, Palis foi comunicada que seria exonerada do cargo sem receber qualquer justificativa sobre a decisão da administração. A nota oficial do IBGE sobre a troca tampouco emite o motivo da exoneração.
"O IBGE agradece à Rebeca Palis, servidora do IBGE desde 2002, pelo trabalho dedicado e pelas contribuições prestadas ao longo dos últimos 11 anos à frente da CONAC e deseja sucesso a Ricardo Montes de Moraes na continuidade e no fortalecimento das atividades da coordenação. A Diretoria de Pesquisas (DPE) informa que, nos próximos dias, será definido de forma dialogada o cronograma de transição entre a atual coordenação e o futuro coordenador", comunicou a nota oficial da direção do IBGE.
Palis foi uma das servidoras em cargos de chefia a assinar manifestações públicas de trabalhadores do IBGE contestando medidas da atual presidência de Marcio Pochmann, entre elas a alteração do Estatuto do órgão e a tentativa de criação da Fundação IBGE+.
(Com Agência Estado)
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