Segunda-Feira, 02 de Dezembro de 2019, 14h:55

Tamanho do texto A - A+

Procura por compliance disparou na última década diz especialista

Por: KHAYO RIBEIRO

Em atuação desde 2008, o advogado especialista em compliance Giovani Saavedra aponta que a procura pelo serviço disparou nos últimos dez anos. Ao HNT/HiperNotícias, o profissional explicou os principais conceitos em torno do tema e antecipou como o conceito de gestão de corporações pode ser empregado em diversos setores.

Reprodução

Giovani Saavedra

 Advogado Giovani Saavedra

Em um primeiro momento, o advogado apresentou o compliance para além de uma ferramenta utilizada pontualmente e, sim, como uma cultura que deve ser adotada na segurança das empresas.

“Quando falamos do termo mais técnico estamos falando de uma área do conhecimento que lida com os riscos de uma empresa. Diz respeito também à metodologia para se lidar com esses riscos. Por conta disso, no final, o que criamos é um sistema de gestão de compliance que é um sistema de gestão de riscos”, explica o especialista.

Pensado inicialmente para as corporações, o compliance guarda em si uma sistemática organizacional que, segundo Saavedra, pode ser utilizada em determinados segmentos do Estado. Contudo, é preciso se pensar os limites da transposição do conceito para as gestões governamentais, uma vez que o Estado não é uma empresa.

“Tem algumas ideias do setor privado que acho que poderiam ser refletidas para o setor público. Porém, mais do que definir o quanto do setor privado deve ir para o setor público, acho que hoje a gente deve discutir qual o tamanho do setor público”, diz Saavedra.

Quando questionado sobre um panorama da procura por compliance nos últimos anos, o advogado disse que a demanda aumentou, mas nem sempre com uma aplicação correta.

“De maneira geral, eu posso falar que, no Brasil, a gente tem notado um crescimento do interesse sobre o tema, mas que nem sempre tem se convertido em uma aplicação correta e eficaz do que deveria ser o compliance”, argumentou.

“A gente tem muito interesse, tem muita movimentação nesse sentido, muitos cursos, muitas operações acontecendo e que estão assustando todo mundo, mas não posso dizer que tem, do ponto de vista prático, em todos os estados, uma evolução uniforme”, disse Saavedra à reportagem.

Para o agronegócio, o advogado aponta que o compliance pode servir como um sistema de mecanismos, dentre outras coisas, para prevenção de lavagem de dinheiro.

"O agronegócio é um setor obrigado a responder a lei de lavagem de dinheiro. Então, em tese, é um setor que deve ter mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro. Mas o agronegócio depende da atuação também. O setor de grãos, por exemplo, tem vários hábitos complicados que geram o risco de lavagem de dinheiro, como a safra – que compra carro com grão, compra casa com grão, não quer dizer que é ilegal, mas pode ter pessoas mal-intencionadas que podem usar isso como um prato cheio", finaliza Saavedra.

Avalie esta matéria: Gostei +1 | Não gostei